A investigação sobre o caso do bolo em que foi encontrado um rato morto, comprado em uma unidade da rede Casa de Bolos, no bairro Cavalhada, na Zona Sul de Porto Alegre, continuará mesmo sem a realização de perícia no alimento. Segundo a Polícia Civil, o produto foi descartado junto com o animal, impossibilitando o exame pericial direto.
A apuração seguirá com base em fotografias do bolo, depoimentos de envolvidos e nas condições sanitárias identificadas durante a fiscalização da confeitaria. A informação foi divulgada pela Polícia Civil e publicada pelo portal GZH na terça-feira (20).
O caso ganhou repercussão após um cliente relatar que consumiu parte do bolo antes de perceber a presença do roedor. A ocorrência levou à abertura de investigação por suspeita de crime contra as relações de consumo e a uma fiscalização que identificou irregularidades sanitárias no estabelecimento.
Polícia vai ouvir funcionários e responsáveis
De acordo com a delegada Milena Simioli, responsável pela investigação, os funcionários da confeitaria estão sendo intimados para prestar depoimento. Os investigadores também poderão apurar a eventual responsabilidade de outras pessoas envolvidas na operação do estabelecimento, conforme os elementos reunidos no inquérito.
A proprietária da unidade, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, já foi ouvida pela polícia. Ela foi presa em flagrante no dia 14 de outubro e liberada após audiência de custódia realizada em 15 de outubro. A investigada responderá ao caso em liberdade, conforme as informações divulgadas.
Em seu depoimento, segundo a delegada, a proprietária afirmou que não tinha conhecimento do ocorrido e que não sabia explicar como o animal foi parar no alimento.
Até a publicação das informações mais recentes, não havia previsão para a conclusão do inquérito policial.
A ausência do bolo para exame pericial não encerra a investigação. A Polícia Civil considera que os demais elementos disponíveis podem ajudar a esclarecer as circunstâncias do caso e identificar eventuais responsabilidades.

Fiscalização encontrou fezes, urina de roedores e alimentos vencidos
Um dos pontos centrais da apuração são as condições de higiene encontradas durante a fiscalização realizada pela Polícia Civil, com apoio da Vigilância Sanitária.
Na unidade da Cavalhada, os agentes identificaram fezes e urina de roedores em diferentes áreas do estabelecimento. Também foram encontrados alimentos com prazo de validade vencido, produtos com fungos e estruturas enferrujadas.
As equipes fiscalizaram ainda outra unidade da rede, localizada na região central de Porto Alegre. Segundo as informações divulgadas pela Polícia Civil, os dois estabelecimentos inspecionados foram interditados.
As irregularidades sanitárias passaram a integrar a investigação porque a apuração não se limita à origem do animal encontrado dentro do bolo. As condições em que os alimentos eram armazenados, manipulados e preparados também são relevantes para verificar possíveis infrações.
Até o momento, a polícia informou que não havia recebido relatos de outras pessoas envolvendo ocorrências semelhantes relacionadas ao caso.
Bolo teria sido consumido durante três dias
O episódio veio à tona depois que um cliente percebeu a presença de um rato morto dentro de um bolo comprado na unidade da Cavalhada. Conforme a investigação, o produto foi adquirido no final de setembro e consumido parcialmente ao longo de aproximadamente três dias.
A família teria consumido parte do alimento durante dois dias. No terceiro, ao cortar uma nova fatia, identificou o animal no interior do bolo.
Segundo informações divulgadas anteriormente pela Polícia Civil, o roedor teria sido assado junto com a massa. A hipótese apresentada pela investigação é de que o animal estivesse no forno e tenha caído na forma durante o preparo.
A polícia também informou que não trabalhava com a hipótese de que o rato tivesse sido colocado deliberadamente no produto destinado àquele cliente. Essa avaliação foi baseada nas circunstâncias apuradas até então.
Como o alimento foi descartado, a investigação dependerá de outros elementos para reconstruir o ocorrido e avaliar as responsabilidades relacionadas à produção e à comercialização do produto.

Consumidor procurou atendimento médico
Após descobrir o animal no bolo, o consumidor procurou atendimento médico. Conforme as informações divulgadas pela Polícia Civil, ele não apresentou sintomas, mas recebeu orientação de um médico infectologista para utilizar medicamento preventivo.
O caso também levantou preocupação com os riscos de exposição a agentes infecciosos associados a roedores, incluindo a leptospirose. A avaliação médica é importante porque a ausência de sintomas imediatos não permite, por si só, descartar todos os riscos de infecção.
As informações disponíveis não indicavam, até a publicação da reportagem, confirmação de que o consumidor tivesse desenvolvido a doença.
A orientação para quem encontra um corpo estranho ou suspeita de contaminação em um alimento é interromper imediatamente o consumo, preservar o produto e a embalagem sempre que possível, registrar imagens e procurar atendimento médico caso tenha ingerido o alimento ou apresente sintomas. A ocorrência também deve ser comunicada às autoridades sanitárias e de defesa do consumidor.
Proprietária e franqueadora se manifestaram
A defesa da proprietária declarou que os fatos estão sendo tratados com seriedade e que a comerciante está colaborando com os esclarecimentos necessários às autoridades.
Os advogados também informaram que o estabelecimento mantinha contrato com uma empresa especializada em dedetização e controle de pragas havia mais de 11 anos, afirmando que os comprovantes dos serviços estavam disponíveis.
A defesa acrescentou que está realizando uma auditoria interna para examinar as circunstâncias do episódio, os procedimentos adotados e os controles existentes. Entre os pontos que afirmou que seriam investigados está a possibilidade de sabotagem por um funcionário insatisfeito. Essa hipótese foi apresentada pela defesa e não deve ser tratada como fato comprovado.
A franqueadora Casa de Bolos, por sua vez, lamentou o ocorrido na unidade da Cavalhada e afirmou considerar inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde e a segurança dos consumidores.
A empresa informou que acompanha o caso com as autoridades competentes e seu departamento jurídico, além de realizar uma apuração interna para esclarecer os fatos e avaliar eventuais medidas contratuais.

Investigação ainda não tem prazo para terminar
A Polícia Civil continuará reunindo depoimentos e analisando os registros disponíveis, além de considerar as condições sanitárias constatadas durante as inspeções.
A conclusão dependerá da avaliação conjunta dos elementos reunidos e da identificação de eventuais responsabilidades individuais ou empresariais. A ausência do alimento para perícia limita uma das possibilidades de análise, mas, segundo a delegada, não impede a continuidade do inquérito.
O caso também reforça a importância da fiscalização sanitária em estabelecimentos que produzem e comercializam alimentos, especialmente quando há suspeita de contaminação e risco à saúde pública.
Até que a investigação seja concluída, as responsabilidades deverão ser determinadas com base nas provas e nos procedimentos legais, sem antecipar conclusões sobre a culpa dos envolvidos.










