Os Correios encerraram a greve dos trabalhadores após 15 dias de paralisação e iniciaram a retomada das atividades em todo o país. O movimento, que começou em 10 de setembro, chegou ao fim após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) no julgamento do dissídio coletivo da categoria.
Os trabalhadores começaram a retornar às atividades ainda na noite de quinta-feira (24), a partir das 22h, após assembleias que aprovaram o encerramento da paralisação. Nesta sexta-feira (25), as operações passaram a funcionar novamente, dando início ao processo de normalização dos serviços postais.
A decisão do TST considerou que a greve não foi abusiva e determinou o retorno dos empregados ao trabalho. A Corte também autorizou a compensação dos dias parados, evitando o desconto dos salários referentes ao período de paralisação.
Greve começou em 10 de setembro
A paralisação teve início em 10 de setembro, depois que as negociações entre os trabalhadores e a empresa terminaram sem acordo.
Entre os principais pontos de divergência estavam o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes, além de questões relacionadas à campanha salarial e à manutenção de benefícios.
A categoria havia aprovado a greve por tempo indeterminado após rejeitar a proposta apresentada pelos Correios durante as negociações. Segundo informações divulgadas durante o período de paralisação, 35 assembleias aprovaram o movimento grevista.
Durante a greve, a Justiça já havia determinado que fosse mantido um efetivo mínimo de 80% dos empregados nas operações da empresa.

TST determina fim da paralisação
O julgamento do dissídio coletivo foi realizado pela Seção de Dissídios Coletivos do Tribunal Superior do Trabalho.
Por maioria, os ministros entenderam que não havia elementos suficientes para classificar a paralisação como abusiva. O tribunal também rejeitou o pedido dos Correios para que a greve fosse considerada abusiva e determinou o retorno dos trabalhadores.
O presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, afirmou durante o julgamento que, diante da dimensão territorial dos Correios e da quantidade de unidades existentes no país, não ficou demonstrada a abusividade do movimento.
A decisão também determinou que os dias em que os trabalhadores ficaram paralisados sejam compensados.
Isso significa que os empregados não terão o período descontado diretamente dos salários, mas deverão cumprir posteriormente a compensação determinada pela decisão judicial.
Reajuste salarial de 4,09%
Além de determinar o fim da greve, o TST definiu reajuste salarial de 4,09% para os trabalhadores dos Correios.
O índice também alcança benefícios vinculados aos salários, como vale-refeição e bolsa-creche, conforme as condições estabelecidas no julgamento do dissídio.
O reajuste é retroativo a agosto, de acordo com as informações divulgadas sobre a decisão.
O tribunal também determinou a manutenção de 73 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho, preservando uma série de condições já existentes para os trabalhadores.

Plano de saúde continua sendo ponto de tensão
Apesar do fim da greve, o plano de saúde dos trabalhadores dos Correios continua sendo um dos principais pontos de discussão entre a empresa e as entidades sindicais.
A estatal defende mudanças no modelo de administração do benefício. A proposta envolve a alteração da participação dos Correios no plano, com o objetivo de reduzir os riscos financeiros relacionados ao benefício.
Os trabalhadores, por outro lado, defendem a manutenção do modelo atual.
A questão já havia provocado conflitos anteriores e esteve entre os principais motivos que levaram a categoria a manter a mobilização em 2026.
O que muda para quem está esperando uma encomenda?
Com o fim da greve, os serviços postais começam a entrar novamente em processo de normalização.
Isso, porém, não significa necessariamente que todas as encomendas atrasadas serão entregues imediatamente.
Durante os 15 dias de paralisação, parte da operação postal sofreu impactos, incluindo atividades relacionadas ao atendimento, tratamento, transporte e distribuição de objetos.
Com a volta dos trabalhadores, os Correios precisam reorganizar o fluxo acumulado e processar as encomendas que ficaram pendentes durante o período.
A expectativa é de uma recuperação gradual da operação, conforme o volume represado seja absorvido pelas unidades.

Entregas podem continuar atrasadas nos próximos dias
Consumidores que aguardam encomendas devem continuar acompanhando o rastreamento dos objetos.
Mesmo com a retomada das atividades, a existência de um volume acumulado pode fazer com que algumas entregas ainda levem mais tempo do que o prazo originalmente informado.
O impacto pode variar de acordo com a região, a unidade responsável pelo tratamento da encomenda e a quantidade de objetos acumulados durante a paralisação.
Por isso, o fim da greve representa o início da normalização, mas não necessariamente o retorno imediato de toda a operação aos níveis anteriores ao movimento.
Correios enfrentam crise financeira
O encerramento da greve ocorre em um momento delicado para os Correios.
A estatal enfrenta um processo de reestruturação financeira e registrou prejuízo de aproximadamente R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo informações divulgadas durante a cobertura da paralisação.
A empresa também formalizou pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões junto a bancos privados.
O novo financiamento faz parte das medidas de reestruturação financeira da companhia. No fim de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões.

Reestruturação continua após o fim da greve
O fim da paralisação resolve uma das frentes de conflito entre trabalhadores e empresa, mas não encerra os desafios financeiros enfrentados pelos Correios.
A estatal também trabalha com medidas de redução de despesas e reorganização da estrutura, incluindo iniciativas relacionadas a unidades de atendimento e ao quadro de funcionários.
Nesse cenário, o acordo definido pelo TST estabelece as condições trabalhistas para o período, enquanto a empresa continua buscando medidas para melhorar sua situação financeira.
Atendimento volta a ser prioridade
Com os trabalhadores novamente em atividade, a prioridade dos Correios passa a ser a recuperação do fluxo de encomendas e correspondências acumuladas durante a greve.
Além das entregas, a retomada envolve o funcionamento das agências, triagem de objetos, transporte entre centros de distribuição e demais etapas da cadeia logística.
A normalização deverá ocorrer de forma gradual, de acordo com a capacidade de cada unidade de absorver a demanda acumulada.

O que o consumidor deve fazer
Quem possui uma encomenda atrasada deve continuar utilizando o sistema de rastreamento dos Correios para acompanhar a movimentação do objeto.
Caso o prazo tenha sido ultrapassado, é importante guardar o código de rastreamento e os comprovantes relacionados ao envio ou à compra.
A retomada dos serviços tende a permitir que os objetos acumulados voltem a circular, mas a velocidade da regularização dependerá do volume represado e da capacidade operacional de cada região.
O fim da greve, portanto, representa a retomada das operações, enquanto a normalização completa das entregas deverá ocorrer progressivamente.










