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Corsan investirá R$ 1,88 bilhão em sistemas de água

Programa prevê intervenções em 55 municípios gaúchos para reduzir riscos de desabastecimento diante de enchentes, estiagens e outros eventos climáticos extremos. Primeira etapa, de R$ 350 milhões, já está em execução.

A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) estruturou um Plano de Resiliência Climática com investimentos previstos de R$ 1,88 bilhão para reforçar os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário no Rio Grande do Sul. A iniciativa busca reduzir os riscos de interrupção dos serviços essenciais diante de enchentes, estiagens e outros eventos climáticos extremos.

O programa prevê intervenções em 55 municípios e foi desenvolvido após os impactos das enchentes de maio de 2024, que comprometeram estruturas de saneamento e deixaram centenas de milhares de imóveis sem abastecimento de água.

Segundo informações divulgadas pela companhia, a primeira etapa do plano, com investimentos de R$ 350 milhões, já está em execução. O projeto completo está em análise na Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (Agergs).

A proposta é ampliar a segurança operacional da infraestrutura, fortalecer estruturas vulneráveis e criar alternativas para manter o abastecimento mesmo quando parte do sistema for afetada por situações de emergência.

Enchentes de 2024 deixaram 906 mil imóveis sem água

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024 representaram um dos maiores desafios recentes para a infraestrutura de saneamento do Estado.

De acordo com a Corsan, 236 municípios de sua área de atuação foram atingidos pelas inundações. No momento mais crítico, aproximadamente 906 mil imóveis ficaram sem abastecimento de água.

Unidades operacionais foram inundadas, estruturas ficaram comprometidas e alguns acessos foram interrompidos, dificultando o trabalho das equipes responsáveis pela manutenção dos serviços.

Diante da situação, a companhia iniciou uma operação emergencial em menos de seis horas. A mobilização envolveu 120 geradores, bombas anfíbias e mais de 1.200 viagens de caminhões-pipa para auxiliar no atendimento à população.

A experiência levou a empresa a rever procedimentos operacionais e ampliar o planejamento para situações de emergência. A avaliação é que a infraestrutura precisa estar preparada não apenas para atender à demanda cotidiana, mas também para continuar funcionando em condições climáticas adversas.

O que está previsto no plano de R$ 1,88 bilhão?

O Plano de Resiliência Climática reúne obras e medidas destinadas a diminuir a vulnerabilidade dos sistemas de saneamento.

Entre as principais frentes previstas estão:

  • Captações de água: intervenções para aumentar a segurança das estruturas responsáveis pela retirada de água dos mananciais.
  • Barragens: medidas de monitoramento, prevenção e reforço da segurança operacional.
  • Adutoras: melhorias nas tubulações que transportam água entre as estruturas do sistema.
  • Estações de bombeamento: intervenções para ampliar a confiabilidade dos equipamentos e reduzir o risco de interrupções.
  • Estações de tratamento de água: implantação de estruturas de contingência em 18 unidades.
  • Diversificação do abastecimento: ampliação de alternativas, incluindo a utilização de poços profundos.
  • Redundância operacional: criação de alternativas para manter o funcionamento do sistema quando uma estrutura apresentar falhas ou precisar ser temporariamente desligada.

A companhia também informou que 91 unidades operacionais atingidas pelas enchentes passaram por ações de recuperação ou realocação, como parte dos esforços para reduzir a exposição da infraestrutura a novos eventos extremos.

Primeira etapa já recebe investimentos de R$ 350 milhões

Embora o plano global esteja estimado em R$ 1,88 bilhão, a primeira etapa, orçada em R$ 350 milhões, já está em andamento.

A execução das intervenções busca reduzir os pontos de vulnerabilidade identificados nos sistemas de abastecimento e preparar a infraestrutura para responder com maior rapidez a situações de risco.

O planejamento considera diferentes tipos de ameaças climáticas. Além das inundações, períodos prolongados de estiagem podem comprometer a disponibilidade de água nos mananciais e exigir mudanças na operação dos sistemas.

A estratégia também inclui monitoramento permanente, inspeções preventivas e planos de contingência para permitir a mobilização antecipada de equipes e equipamentos diante de alertas meteorológicos.

Caso de barragem em São Marcos reforça importância da prevenção

Um exemplo citado pela Corsan é a atuação na Barragem Arroio São Luiz, em São Marcos, na Serra Gaúcha.

Após fortes chuvas, uma inspeção identificou fissuras na estrutura. Diante da situação, a companhia acionou o Plano de Ação de Emergência e mobilizou especialistas, mergulhadores, bombas, geradores e outros equipamentos.

As medidas tiveram como objetivo reduzir o nível da água, avaliar as condições da barragem e iniciar os reparos necessários. Também foram adotadas providências para preservar o abastecimento da população durante os trabalhos.

A ocorrência demonstra a importância do monitoramento preventivo e da integração entre equipes técnicas, prefeituras e órgãos de proteção e defesa civil para reduzir riscos à população.

Corsan prevê R$ 15 bilhões em investimentos até 2033

O plano de resiliência integra uma estratégia mais ampla de modernização e expansão do saneamento no Rio Grande do Sul.

A Corsan prevê investimentos de aproximadamente R$ 15 bilhões até 2033, com o objetivo de ampliar a cobertura dos serviços, modernizar a infraestrutura e melhorar a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.

O planejamento está relacionado às metas do Marco Legal do Saneamento Básico, que estabelece, até 2033, o atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto.

A companhia considera que ampliar o acesso ao saneamento e garantir a continuidade dos serviços são objetivos que precisam avançar conjuntamente. Em situações de emergência, a interrupção do abastecimento pode afetar residências, hospitais, estabelecimentos comerciais e outros serviços essenciais.

O que muda para a população?

O principal objetivo do plano é diminuir a possibilidade de interrupções prolongadas no fornecimento de água quando ocorrerem enchentes, estiagens ou outros eventos extremos.

As obras e medidas preventivas buscam tornar os sistemas mais resistentes, melhorar a capacidade de resposta das equipes e ampliar as alternativas disponíveis quando uma estrutura precisar ser reparada ou temporariamente retirada de operação.

Entretanto, o investimento anunciado não significa que os municípios estarão livres de interrupções. A efetividade do programa dependerá da execução das obras, da manutenção das estruturas e da capacidade de adaptação diante de eventos climáticos futuros.

Com o plano, a Corsan pretende incorporar a resiliência climática ao planejamento permanente dos serviços de saneamento, reduzindo vulnerabilidades e buscando maior segurança no abastecimento para a população gaúcha.

O Jornal MPV acompanha os investimentos em infraestrutura e saneamento no Rio Grande do Sul, com atenção aos impactos dos projetos sobre os municípios e os serviços utilizados pela população.

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