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Exportações do agro gaúcho crescem 13,1%

Resultado foi impulsionado pelo complexo soja e pela recuperação das vendas de carne de frango; no acumulado de 2026, setor já movimenta US$ 8,24 bilhões

As exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul alcançaram US$ 1,39 bilhão em julho de 2026, crescimento de 13,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados fazem parte de relatório da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), divulgado nesta terça-feira (11).

O resultado confirma a força do agronegócio na balança comercial gaúcha e foi sustentado principalmente pelo desempenho do complexo soja, que reúne grãos, óleo e farelo, além da recuperação das exportações de carne de frango in natura.

Em volume, o desempenho foi ainda maior. O Estado embarcou 1,96 milhão de toneladas de produtos do agronegócio em julho, alta de 21,7% na comparação anual.

A diferença entre o crescimento do valor e o aumento do volume indica que o Estado exportou mais produtos, mas com redução no valor médio obtido por tonelada.

Complexo soja lidera crescimento das exportações

O complexo soja foi o principal responsável pelo avanço das exportações do agronegócio gaúcho em julho.

As vendas externas do segmento cresceram 67,7% em valor e 44,8% em volume na comparação com julho de 2025.

O desempenho está relacionado principalmente à demanda internacional por soja em grão e derivados. A China manteve forte participação nas compras da produção gaúcha, enquanto outros mercados asiáticos também contribuíram para o resultado.

A importância da soja é estratégica para o Estado porque o produto representa uma parcela significativa da pauta exportadora do agronegócio e influencia diretamente o desempenho mensal do setor.

Carne de frango também apresenta recuperação

A carne de frango in natura foi outro destaque positivo em julho.

As exportações do produto cresceram 39,8% em valor e 25,5% em volume em relação ao mesmo período de 2025.

O avanço representa uma recuperação das vendas externas do setor e contribuiu para diversificar os fatores responsáveis pelo crescimento do agronegócio gaúcho no mês.

O desempenho das proteínas animais ocorre em um momento de retomada das exportações após dificuldades enfrentadas pelo setor em períodos anteriores.

Carne bovina cresce no acumulado do ano

A carne bovina apresentou um comportamento diferente em julho.

As exportações do produto recuaram no mês, em um cenário influenciado pela aproximação do limite da cota chinesa e pelo redirecionamento de embarques.

Apesar da queda pontual, o desempenho acumulado continua positivo.

Entre janeiro e julho, as exportações de carne bovina registram crescimento de 27,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O dado mostra que a retração de julho não eliminou o avanço registrado pela cadeia ao longo de 2026.

Fumo enfrenta cenário internacional mais competitivo

Nem todas as cadeias do agronegócio apresentaram crescimento.

O fumo não manufaturado permanece entre os principais pontos de pressão sobre as exportações gaúchas.

O setor enfrenta um cenário internacional de maior oferta e competição, especialmente com o avanço da produção de países africanos.

A maior disponibilidade do produto no mercado internacional aumenta a concorrência e dificulta a expansão das vendas externas do fumo gaúcho.

O desempenho evidencia que o crescimento do agronegócio estadual ocorre de maneira desigual entre as diferentes cadeias produtivas.

China continua como principal parceiro comercial

A Ásia, excluindo o Oriente Médio, foi o principal destino das exportações do agronegócio gaúcho em julho.

A região recebeu US$ 714,2 milhões em produtos do Estado.

Dentro desse mercado, a China permaneceu como principal parceiro comercial, respondendo por 31,7% do valor total exportado pelo agronegócio gaúcho no mês.

A participação chinesa reforça a importância do mercado asiático para produtos como soja e proteínas animais.

Ao mesmo tempo, a concentração das vendas em grandes mercados externos mantém o setor sujeito às mudanças na demanda internacional, preços das commodities e políticas comerciais.

Setor acumula US$ 8,24 bilhões em 2026

O resultado de julho contribuiu para ampliar o desempenho acumulado do agronegócio gaúcho.

Entre janeiro e julho de 2026, as exportações do setor chegaram a US$ 8,24 bilhões, crescimento de 9,2% em comparação com o mesmo período de 2025.

O desempenho mantém o agronegócio como um dos principais motores das exportações do Rio Grande do Sul.

A evolução acumulada é sustentada principalmente pelas cadeias de soja e proteínas animais, apesar das dificuldades enfrentadas por segmentos específicos.

Volume exportado cresce mais que a receita

Um dos dados mais relevantes do levantamento da Farsul está na diferença entre o crescimento do valor e do volume.

Em julho, o valor exportado aumentou 13,1%, enquanto o volume embarcado avançou 21,7%.

Na prática, o Estado enviou uma quantidade significativamente maior de produtos para o exterior, mas a receita cresceu em ritmo menor.

Esse comportamento aponta para uma redução do valor médio por tonelada exportada, resultado que pode estar relacionado às condições dos preços internacionais das principais commodities.

Para o setor produtivo, a diferença entre volume e faturamento é um indicador importante porque demonstra que aumento das vendas físicas não necessariamente significa crescimento proporcional da receita.

Agronegócio mantém peso na economia do Estado

O desempenho das exportações reforça o papel do agronegócio na economia do Rio Grande do Sul.

A produção de grãos, carnes, fumo e outros produtos agropecuários movimenta uma extensa cadeia que envolve produtores, cooperativas, indústrias, transportadoras, armazenagem e empresas ligadas ao comércio exterior.

Quando as exportações aumentam, os efeitos podem alcançar diferentes segmentos da economia estadual.

Por outro lado, a dependência das condições do mercado internacional também deixa o setor exposto às oscilações de preços, demanda, câmbio e decisões comerciais dos principais compradores.

Resultado de julho mantém cenário positivo

Os dados divulgados pela Farsul mostram que o agronegócio gaúcho manteve desempenho positivo nas exportações em julho de 2026.

O crescimento de 13,1% no valor exportado, combinado com o avanço de 21,7% no volume, foi impulsionado principalmente pelo complexo soja e pela recuperação das vendas de carne de frango.

A carne bovina mantém resultado positivo no acumulado, enquanto o fumo enfrenta maior pressão no mercado internacional.

Com US$ 8,24 bilhões exportados entre janeiro e julho, o setor segue com crescimento anual e mantém forte participação no comércio exterior do Rio Grande do Sul.

O cenário, porém, exige atenção às condições dos mercados internacionais, especialmente aos preços das commodities e à demanda dos principais compradores.

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