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GAUCHOS ELEGEM LUCIANO ZUCO DO PL COMO NOVO GOVERNADOR DO RS El.

A força da mulher gaúcha: uma chapa desenhada para vencer no primeiro turno

Por Ellis Estrategista — Eliane Ribas Semeler

Há eleições que começam muito antes da abertura das urnas. Elas começam quando os partidos conseguem compreender o território, identificar as forças políticas disponíveis e construir uma composição capaz de dialogar com diferentes segmentos do eleitorado. É sob essa perspectiva que observo a formação da chapa de Luciano Zucco eleito do Governador do Rio Grande do Sul, tendo Silvana Covatti como vice-governadora.

Na minha leitura estratégica, essa composição reúne elementos que podem transformar a eleição em uma disputa de primeiro turno.

Zucco representa uma força política com presença importante nos grandes centros urbanos. Silvana Covatti acrescenta a essa estrutura a capilaridade do Progressistas, especialmente no interior gaúcho. Essa combinação não é apenas partidária. Ela é territorial, eleitoral e simbólica.

E existe ainda um componente que não pode ser ignorado: a força da mulher gaúcha.

Silvana não chega à chapa apenas para ocupar a posição de vice. Sua trajetória demonstra que ela possui capital político próprio. Foi eleita deputada estadual pela primeira vez em 2006, alcançou uma das maiores votações do Estado em 2010, tornou-se a primeira mulher a presidir a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e também foi a primeira mulher a comandar a Secretaria Estadual da Agricultura.

Essa trajetória importa.

Em uma sociedade na qual as mulheres ocupam cada vez mais espaço na decisão política, colocar uma mulher com experiência, história eleitoral e presença regional em uma chapa majoritária produz um efeito que ultrapassa a composição partidária.

Silvana representa uma parcela expressiva da mulher gaúcha que trabalha, empreende, administra famílias, participa das comunidades e acompanha as decisões políticas do Estado.

E existe uma característica particular na mulher do Rio Grande do Sul que merece ser observada com atenção: sua capacidade de organização, participação comunitária e influência dentro das famílias e das redes sociais locais.

A mulher vota. Mas, muitas vezes, ela também conversa sobre política, influencia decisões familiares, participa de associações, igrejas, entidades, escolas, empresas, sindicatos e comunidades. Ela é formadora de opinião dentro e fora das urnas.

É por isso que a presença de Silvana pode produzir um efeito eleitoral maior do que a simples transferência de votos do Progressistas.

A força de uma vice não deve ser medida apenas pela quantidade de votos que ela pode trazer. Deve ser avaliada pela capacidade de abrir portas, ampliar diálogos e conectar a candidatura a grupos que talvez não estivessem diretamente alcançados pelo cabeça de chapa.

É nesse ponto que a equação Zucco-Silvana se torna interessante.

Zucco pode conversar com determinados segmentos do eleitorado. Silvana amplia esse campo de diálogo. O PL possui presença relevante em grandes cidades. O Progressistas possui uma estrutura histórica em municípios do interior. E a presença feminina acrescenta uma dimensão simbólica e estratégica à chapa.

Quando diferentes forças conseguem atuar em uma mesma direção, a campanha deixa de ser apenas uma candidatura e passa a funcionar como uma estrutura eleitoral.

Por isso, considero plausível trabalhar com o cenário de uma vitória de Zucco ainda no primeiro turno, desde que a campanha consiga manter unidade, ampliar sua presença territorial e transformar essa composição em mobilização efetiva.

Primeiro turno não se conquista apenas com entusiasmo.

É necessário reduzir rejeição, ampliar alianças, manter comunicação consistente e apresentar ao eleitor uma mensagem suficientemente clara para atravessar diferentes regiões do Estado.

O desafio será transformar a força de cada grupo em uma narrativa comum.

E essa narrativa pode encontrar na mulher gaúcha uma de suas maiores forças.

A mulher que está no interior, nas grandes cidades, no comércio, no campo, nas empresas, nas escolas, nos serviços públicos e dentro das famílias precisa ser compreendida como protagonista eleitoral.

Não como voto feminino abstrato.

Como força política concreta.

Silvana Covatti pode ser justamente essa ponte.

Sua história política conecta a chapa ao interior. Sua trajetória institucional agrega experiência. Sua condição de mulher amplia a representação feminina. E sua estrutura partidária contribui para uma candidatura que busca alcançar diferentes regiões do Rio Grande do Sul.

No cenário que projeto, Zucco chega ao Palácio Piratini no primeiro turno porque consegue transformar diferentes forças políticas em uma única força eleitoral.

Mas essa vitória não será apenas de Zucco.

Será também de uma composição política que soube compreender que o Rio Grande do Sul possui diferentes territórios, diferentes identidades e diferentes formas de fazer política.

E, sobretudo, será uma eleição em que a mulher gaúcha poderá deixar de ser vista apenas como segmento eleitoral para assumir definitivamente o papel de protagonista na construção do poder político do Estado.

A política muda quando as mulheres deixam de ser apenas eleitoras e passam a ocupar o centro das decisões.

Silvana Covatti representa essa mulher dentro da chapa.

E, se a estratégia conseguir transformar estrutura em voto, território em mobilização e representação em confiança, Zucco poderá chegar ao Governo do Rio Grande do Sul já no primeiro turno.

Essa é a minha leitura estratégica do tabuleiro que começa a se desenhar.

Ellis Estrategista
Análise política e estratégica — Jornal MPV

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