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Gringo e mais 7 viram réus por fraude

O ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall’Oglio, conhecido como Gringo, e outras sete pessoas se tornaram réus em uma ação penal que investiga suspeitas de fraude em licitações públicas. Segundo a investigação, cinco concorrências realizadas entre 2024 e 2025 teriam sido manipuladas por empresas ligadas ao mesmo núcleo familiar e empresarial. Os contratos investigados somam aproximadamente R$ 2,5 milhões.

O ex-vereador de Porto Alegre Gilvani Dall’Oglio, o Gringo, e outras sete pessoas passaram a responder como réus na Justiça em um processo que apura suspeitas de fraude em licitações, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documento falso.

A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul após uma investigação conduzida pela Polícia Civil. A ação aponta que um grupo empresarial teria utilizado diferentes empresas para participar simultaneamente de processos de contratação pública, criando, segundo os investigadores, uma aparência de concorrência entre empresas que estariam sob controle do mesmo núcleo.

As suspeitas envolvem pelo menos cinco licitações realizadas entre 2024 e 2025, relacionadas a serviços como desobstrução de redes pluviais e de esgoto, hidrojateamento, transporte e descarte de resíduos.

Os contratos investigados envolvem a Polícia Penal e as prefeituras de Capão da Canoa, Gramado, Gravataí e Osório e, conforme a investigação, totalizam cerca de R$ 2,5 milhões.

Justiça recebe denúncia e transforma oito pessoas em réus

O processo teve origem na chamada Operação Effluxus, deflagrada pela Polícia Civil em abril de 2026. A investigação foi conduzida pelo delegado Augusto Zenon, da 2ª Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Administração Pública Municipal.

Depois da conclusão do inquérito, o Ministério Público ofereceu denúncia contra oito pessoas.

O juiz Sidinei Brzuska, da 3ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, recebeu a denúncia e determinou que os envolvidos fossem citados para apresentar suas defesas.

A decisão que recebeu a denúncia foi tomada em junho, mas somente se tornou pública agora.

O recebimento da denúncia significa que a Justiça entendeu que havia elementos suficientes para dar início à ação penal. Isso não representa uma condenação nem estabelece culpa dos acusados, que ainda terão direito ao contraditório, à ampla defesa e à produção de provas durante o processo.

Como funcionaria o suposto esquema

Segundo a investigação, duas empresas aparecem como peças centrais da suposta fraude: Limpservice Prestação de Serviços e Safety Ambiental.

A Limpservice teria vencido as cinco contratações analisadas pela Polícia Civil. Já a Safety teria participado dos mesmos processos, mas apresentado propostas superiores e perdido as disputas.

Para os investigadores, a participação simultânea das empresas teria criado uma competição simulada, já que, apesar de formalmente pertencerem a pessoas diferentes, elas estariam ligadas ao mesmo núcleo empresarial.

A Limpservice aparece formalmente registrada em nome de Felipe Dall’Oglio, filho de Gringo.

Já a Safety Ambiental estava registrada, no período analisado, em nome de Gilmar João Dall’Oglio, irmão do ex-vereador. Em maio de 2025, a empresa teria sido transferida para Marco Antônio de Quadros. Segundo a denúncia, os dois seriam empregados do grupo e não os responsáveis efetivos pelo controle empresarial.

Atualmente, a Safety voltou a ter Gilmar João como responsável formal.

Contratos envolviam diferentes municípios

As cinco licitações apontadas na investigação ocorreram em diferentes órgãos públicos.

Entre os contratantes estão a Polícia Penal e as prefeituras de Capão da Canoa, Gramado, Gravataí e Osório.

Os serviços contratados estavam relacionados principalmente à infraestrutura e manutenção, incluindo desobstrução de redes pluviais e de esgoto, hidrojateamento, transporte e descarte de resíduos.

De acordo com a investigação, a utilização de empresas supostamente pertencentes ao mesmo núcleo teria permitido que uma delas apresentasse uma proposta vencedora enquanto a outra participava como concorrente.

A acusação sustenta que esse mecanismo teria como finalidade interferir no caráter competitivo dos processos de contratação pública.

Investigação aponta ligação entre as empresas

Um dos elementos utilizados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público para sustentar a tese de que as empresas seriam controladas pelo mesmo grupo é a existência de relações operacionais e patrimoniais entre elas.

A investigação cita, entre outros elementos, o uso de um mesmo endereço eletrônico, reconhecimento solidário de dívidas e relatos de antigos funcionários que afirmaram ter trabalhado para diferentes empresas do grupo.

Também foi identificada, segundo a investigação, uma conexão tecnológica durante uma licitação da Polícia Penal.

Conforme os investigadores, tanto a Limpservice quanto a Safety teriam utilizado uma estrutura tecnológica vinculada a Gringo para realizar os acessos necessários à participação no processo eletrônico.

Esses elementos são utilizados na denúncia para sustentar a hipótese de que o controle das empresas seria exercido de fato por Gringo, apesar das diferentes titularidades formais.

Gringo também responde por suspeita de corrupção de testemunha

Além das acusações relacionadas às licitações, Gilvani Gringo responde por uma imputação específica envolvendo uma testemunha.

Segundo a investigação, uma ex-empregada teria apresentado elementos indicando que o ex-vereador teria oferecido R$ 2 mil para que ela não revelasse informações sobre o funcionamento do grupo durante seu depoimento.

A investigação classificou o episódio como suspeita de corrupção de testemunha.

A acusação ainda será submetida ao contraditório durante o processo judicial.

Quem são os oito réus

Entre os réus está o próprio Gilvani Dall’Oglio, o Gringo, apontado pelo Ministério Público como suposto líder do esquema.

Ele responde por associação criminosa, frustração do caráter competitivo de licitação em cinco oportunidades, falsidade ideológica e uso de documento falso em duas ocasiões, além da acusação de corrupção de testemunha.

Também são réus Gilmar João Dall’Oglio, irmão de Gringo, e Marco Antônio de Quadros. Segundo a denúncia, ambos teriam figurado formalmente como responsáveis pela Safety Ambiental, embora a investigação sustente que atuariam como empregados do núcleo empresarial.

Os cinco filhos de Gringo — Daniela, Felipe, Vinícius, Gabriela e Giovana Dall’Oglio — também respondem à ação penal.

De acordo com a denúncia, eles teriam participado da administração das empresas envolvidas.

Todos os acusados são considerados réus, e não condenados, e poderão apresentar suas versões e produzir provas ao longo do processo.

Ex-vereador foi preso durante a Operação Effluxus

Gringo foi preso preventivamente em abril de 2026, durante a Operação Effluxus, que investigou as suspeitas relacionadas às licitações.

Três dias depois, ele passou para o regime de prisão domiciliar após decisão judicial relacionada a questões de saúde.

Atualmente, conforme informado pela defesa, o ex-vereador está submetido a medidas cautelares alternativas. Entre elas estão a obrigação de comparecer mensalmente em juízo, a proibição de deixar o país e a restrição de contato com os demais réus.

Cassação do mandato em Porto Alegre

A investigação ocorre meses depois da cassação do mandato de Gringo na Câmara Municipal de Porto Alegre.

Ele foi eleito vereador em 2024 pelo Republicanos, mas teve o mandato cassado em dezembro de 2025.

As suspeitas envolvendo contratos de empresas ligadas ao ex-parlamentar com o poder público estiveram entre os elementos considerados no processo político que resultou na perda do mandato.

Gringo também foi um dos alvos de investigação da CPI do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) na Câmara Municipal.

A decisão de cassação contou com 26 votos favoráveis e três contrários, segundo informações recuperadas pela GZH.

Defesas contestam acusações

As defesas dos réus negam as acusações e afirmam que os fatos ainda serão esclarecidos durante o processo judicial.

O advogado de Gringo, Diego Romero, afirmou que o ex-vereador recebe a denúncia com serenidade e que a defesa confia que a instrução processual demonstrará a improcedência das acusações.

A defesa de Gilmar João Dall’Oglio, representada por Marcelo Almeida Sant’Anna, também afirma que o empresário é inocente e que as acusações partem de premissas equivocadas.

Já a defesa de Marco Antônio de Quadros, feita por Ismael Schmitt, contestou os termos da denúncia e afirmou que pretende demonstrar a inocência do acusado durante a tramitação do processo.

A defesa de Daniela Dall’Oglio também classificou as acusações como infundadas e afirmou confiar no contraditório e na ampla defesa.

Os advogados de Felipe, Gabriela, Giovana e Vinícius Dall’Oglio destacaram que o recebimento da denúncia não representa uma conclusão sobre a culpa dos acusados.

Segundo os defensores, a ação encontra-se suspensa em razão de uma decisão judicial relacionada ao acesso integral aos elementos da investigação.

A defesa também informou que a empresa Limpservice permanece autorizada a participar de licitações e contratar com o poder público, após decisão judicial que, segundo os advogados, reconheceu a ausência de fato novo e a desproporcionalidade de determinadas restrições.

O que acontece agora

Com o recebimento da denúncia, o caso passa a tramitar como ação penal. A próxima etapa envolve o desenvolvimento da instrução processual, quando acusação e defesa poderão apresentar provas, documentos e testemunhas.

A Justiça deverá analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, além das manifestações das defesas.

Ao final do processo, caberá ao Judiciário decidir se as acusações serão comprovadas ou não.

Até lá, os oito réus permanecem presumidos inocentes, conforme o princípio constitucional da presunção de inocência.

O caso continua sob acompanhamento da Justiça e poderá ter novos desdobramentos conforme forem realizadas as próximas etapas processuais.

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