Uma operação integrada das forças de segurança resultou na prisão de três homens suspeitos de integrar uma organização criminosa especializada em furtos a cemitérios e igrejas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A ação foi realizada na noite de segunda-feira (3), no município de Lajeado, após uma investigação conduzida pela Delegacia de Polícia de Venâncio Aires identificar os veículos utilizados pelo grupo e monitorar seus deslocamentos.
Segundo a Polícia Civil, os suspeitos são investigados por uma série de furtos praticados principalmente em cemitérios do interior gaúcho, onde peças metálicas de túmulos, capelas e monumentos eram retiradas para posterior comercialização. As investigações também apontam que a quadrilha atuava em cidades catarinenses, ampliando a área de atuação do grupo criminoso.
Investigação identificou atuação em diferentes municípios
As apurações tiveram início após o registro de, pelo menos, cinco furtos ocorridos entre junho e julho deste ano em cemitérios localizados no interior de Venâncio Aires.
Com o avanço das diligências, os investigadores constataram que os suspeitos percorriam diferentes municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina em busca de cemitérios e igrejas com pouca vigilância, aproveitando a dificuldade de monitoramento em áreas rurais para cometer os crimes.
De acordo com a Polícia Civil, a investigação exigiu um trabalho de inteligência devido à escassez de câmeras de segurança e de testemunhas nos locais atacados, fator que dificultava a identificação dos autores.
Prisão ocorreu durante retorno de ação criminosa
Após identificar os veículos utilizados pelos suspeitos — um Fiat Uno e um Ford Fiesta —, equipes da Polícia Civil passaram a monitorar seus deslocamentos em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A abordagem ocorreu na BR-386, em Lajeado, quando os investigados retornavam de uma ação criminosa realizada em território catarinense.
Durante a fiscalização, os policiais encontraram diversos objetos metálicos com características compatíveis com materiais furtados de cemitérios e igrejas, entre eles placas de identificação de túmulos, cruzes, letreiros, ornamentos e um sino metálico. Um dos objetos apreendidos foi reconhecido como pertencente a um furto registrado no município de Descanso, em Santa Catarina.
Grupo já era alvo da Polícia Civil
Segundo as autoridades, dois dos três abordados já possuíam mandados de prisão temporária expedidos no decorrer da investigação.
Além disso, havia autorização judicial para busca e apreensão de um dos veículos utilizados pelo grupo, reforçando que as diligências já vinham sendo realizadas antes da abordagem em Lajeado.
Os suspeitos têm 26, 32 e 41 anos e são naturais de São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Jaboticaba, respectivamente. Todos foram encaminhados à Delegacia de Polícia de Venâncio Aires, onde tiveram a prisão em flagrante formalizada.
Crimes investigados
Após a análise do material apreendido e das provas reunidas ao longo da investigação, a Polícia Civil autuou os três homens pelos crimes de:
- Associação criminosa;
- Furto qualificado pelo concurso de pessoas.
O inquérito prossegue para verificar a participação do grupo em outros furtos registrados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, além de identificar possíveis receptadores dos materiais metálicos subtraídos.
Furtos causam prejuízo material e emocional
Os crimes praticados contra cemitérios e igrejas vão além do prejuízo financeiro causado às instituições religiosas e às famílias.
Peças como placas de identificação, imagens sacras, cruzes, sinos, ornamentos e objetos históricos possuem valor afetivo, religioso e patrimonial, tornando a recuperação dos bens uma prioridade para as investigações.
Nos últimos anos, esse tipo de furto tem sido registrado com maior frequência em diversas regiões do país, impulsionado principalmente pelo comércio ilegal de metais, como bronze, cobre e latão.
Especialistas em patrimônio histórico alertam que muitos dos objetos levados são insubstituíveis, especialmente aqueles que integram monumentos centenários ou possuem valor artístico.
Integração entre forças policiais foi decisiva
A operação contou com a atuação conjunta da Polícia Civil, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Brigada Militar.
Segundo o delegado Guilherme Dill, responsável pela investigação, o compartilhamento de informações entre os órgãos permitiu identificar rapidamente os deslocamentos do grupo e interceptá-lo antes que os materiais furtados fossem comercializados.
As investigações continuam para esclarecer a extensão da atuação da organização criminosa e verificar se outras pessoas participaram do esquema, seja na prática dos furtos ou na receptação dos objetos retirados de cemitérios e igrejas.








