Programas gratuitos de rádio e televisão voltaram nesta sexta-feira (9), com cinco minutos para cada candidato. Lula criticou o governo Bolsonaro e apresentou propostas sociais, enquanto Flávio destacou o avanço da direita e prometeu mudanças no país.
A disputa pela Presidência da República ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (9), com a retomada da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a apresentar suas propostas aos eleitores, em uma nova etapa da campanha para o segundo turno das eleições de 2026.
As primeiras propagandas foram marcadas por discursos sobre mudanças, propostas para o país e participações de lideranças políticas que tiveram destaque nas eleições realizadas no último domingo (4).
Apesar de ambos utilizarem o tema da mudança, os candidatos adotaram estratégias diferentes. Lula concentrou parte de sua mensagem em críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), relacionando decisões daquele período a riscos que, segundo sua campanha, poderiam voltar a ocorrer caso Flávio vença a eleição.
Flávio, por sua vez, destacou o resultado do primeiro turno e o crescimento de representantes da direita no Congresso Nacional. O senador apresentou sua candidatura como uma alternativa para mudar os rumos do país e defendeu propostas nas áreas tributária, social e de segurança pública.
A propaganda eleitoral representa uma oportunidade para os candidatos alcançarem eleitores que ainda não definiram o voto e reforçarem suas principais mensagens antes da votação decisiva.
Quando será exibida a propaganda eleitoral?
O horário eleitoral gratuito voltou a ser transmitido nesta sexta-feira (9) e seguirá até 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro de 2026.
Cada candidato dispõe de cinco minutos nos blocos de propaganda eleitoral exibidos no rádio e na televisão.
Os horários previstos são:
- Rádio: às 7h e às 12h.
- Televisão: às 13h e às 20h30min.
- Período da propaganda: de 9 a 23 de outubro de 2026.
- Votação do segundo turno: 25 de outubro de 2026.
Como não haverá segundo turno para o governo do Rio Grande do Sul, o horário eleitoral no Estado está destinado exclusivamente à disputa presidencial.
A retomada da propaganda abre uma nova fase da campanha, na qual os candidatos precisam apresentar suas propostas de maneira objetiva e convencer o eleitorado sobre os caminhos que pretendem seguir caso vençam a eleição.

Flávio Bolsonaro aposta em mudança e destaca avanço da direita
O programa de Flávio Bolsonaro foi o primeiro a ser exibido na televisão, às 13h desta sexta-feira. A mensagem central apresentou o senador como uma alternativa para promover mudanças no Brasil.
A propaganda utilizou imagens da apuração do primeiro turno, com destaque para o desempenho eleitoral do candidato e para a presença de representantes da direita e da direita radical no Congresso Nacional.
O programa também reuniu imagens de comícios, discursos do senador e depoimentos de aliados políticos que obtiveram resultados expressivos nas eleições de 2026.
Entre os nomes apresentados estavam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL); a senadora eleita pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL); o candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado; e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).
A presença dessas lideranças buscou demonstrar a força política do grupo que apoia a candidatura e associar o desempenho eleitoral da direita à proposta de mudança defendida pelo senador.
Quais propostas Flávio apresentou?
Durante a propaganda, Flávio destacou três iniciativas: o chamado “tesouraço” nos impostos, o “Voucher Creche” e o programa “Smart Brasil”, voltado à criação de uma rede de monitoramento por câmeras.
O “tesouraço” foi apresentado como uma proposta de redução de impostos. Já o “Voucher Creche” foi mencionado como uma alternativa relacionada ao acesso à educação infantil.
O “Smart Brasil”, por sua vez, foi apresentado como uma iniciativa de monitoramento por câmeras, ligada ao debate sobre segurança pública.
O programa eleitoral também abordou a manutenção de políticas sociais, citando a Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família. A abordagem ocorreu em um trecho dedicado a rebater informações sobre possíveis mudanças nesses programas.
As propostas foram apresentadas pela campanha, mas seus resultados dependerão do detalhamento das medidas, das regras de implementação e, quando necessário, da aprovação legislativa.

Lula critica governo Bolsonaro e defende propostas sociais
Na sequência, o programa de Luiz Inácio Lula da Silva apresentou críticas à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, utilizando imagens e referências a cortes de recursos em áreas como saúde, educação e assistência social.
O presidente também agradeceu aos eleitores que votaram nele no primeiro turno e apareceu em imagens de atos de campanha e encontros com apoiadores.
A mensagem petista buscou estabelecer uma comparação entre os dois projetos políticos e apresentar a candidatura de Lula como uma alternativa à possibilidade de retorno de políticas associadas ao governo anterior.
Em um dos momentos da propaganda, o presidente afirmou que “mudar não é voltar ao passado”, em uma referência direta ao discurso utilizado pelo adversário.
A campanha também apresentou depoimentos de políticos que conquistaram mandatos nas eleições de 2026, procurando demonstrar apoio e ampliar a presença de diferentes lideranças na mensagem eleitoral.
Quais propostas Lula apresentou?
Entre os principais pontos destacados pelo programa estavam:
- Zerar os impostos sobre a cesta básica: proposta voltada à redução da carga tributária sobre alimentos essenciais.
- Acabar com as bets: defesa de medidas contra as plataformas de apostas esportivas e jogos on-line.
- Fim da escala 6×1 sem redução salarial: proposta de mudança na jornada de trabalho, preservando os salários dos trabalhadores.
As propostas abordam temas com impacto direto no orçamento das famílias, nas relações de trabalho e na regulação de atividades econômicas.
A eventual implementação de cada medida depende de seu formato jurídico, das regras aplicáveis e, conforme o caso, da aprovação do Congresso Nacional.

Lideranças eleitas participaram do programa
A propaganda também contou com a participação de políticos eleitos ou reeleitos em diferentes Estados.
Entre os nomes citados estavam Ana Elisa (PT-MG), Camila Jara (PT-MS), Giovana Mondardo (PCdoB-SC), Rick Azevedo (PSol-RJ), Luna Zarattini (PSol-SP), Guilherme Cortez (PSol-SP), Natália Bonavides (PT-RN) e Rosa Amorim (PT-PE).
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que integra a chapa de Lula, também apareceu no programa.
Na parte final, a propaganda voltou a criticar Flávio Bolsonaro e a política de armas associada ao governo de Jair Bolsonaro. A mensagem destacou os riscos relacionados à presença de armas de fogo em ambientes com crianças.
A estratégia buscou colocar a segurança das famílias e a proteção infantil no centro do debate eleitoral.
Campanhas adotam estratégias diferentes
Embora os dois candidatos tenham utilizado o discurso da mudança, a apresentação das propostas revelou diferenças no foco de cada campanha.
Flávio Bolsonaro enfatizou o resultado do primeiro turno, a força política da direita e iniciativas relacionadas à redução de impostos, à educação infantil e ao monitoramento por câmeras.
Lula priorizou críticas ao governo anterior e propostas ligadas à alimentação, ao trabalho e à regulação das apostas on-line, além de alertas sobre a política de armas.
A diferença também apareceu na escolha das lideranças que participaram dos programas. Ambos recorreram a políticos com resultados eleitorais relevantes para reforçar suas mensagens e demonstrar apoio político.
A propaganda gratuita, porém, não substitui a análise dos programas de governo. As promessas apresentadas durante a campanha precisam ser avaliadas quanto à viabilidade, aos custos, aos efeitos esperados e à necessidade de mudanças legislativas.

Lideranças gaúchas ficaram fora dos primeiros programas
Apesar de a propaganda também ser transmitida no Rio Grande do Sul, nenhum dos dois programas exibidos nesta sexta-feira contou com a participação de lideranças políticas gaúchas.
Na propaganda de Flávio Bolsonaro, não apareceu Luciano Zucco (PL), eleito governador do Estado no primeiro turno. Também não foram apresentados os senadores eleitos nem deputados liberais gaúchos.
Do lado de Lula, não participaram os nomes da disputa majoritária estadual que não avançaram para um eventual segundo turno, entre eles Juliana Brizola (PDT), Edegar Pretto (PT), Manuela d’Ávila (PSol) e Paulo Pimenta (PT).
Os deputados eleitos pelo Rio Grande do Sul também não apareceram nos programas analisados.
A ausência de representantes locais chama a atenção porque a propaganda eleitoral é transmitida em todo o Estado, mas o foco das duas campanhas, nesta primeira exibição, foi a disputa nacional e a comparação entre os projetos presidenciais.
Isso não significa, necessariamente, que as lideranças gaúchas ficarão fora de toda a programação até o segundo turno.
O que acontece até o segundo turno?
Com a retomada do horário eleitoral, os candidatos terão mais duas semanas para apresentar propostas, responder a críticas e tentar conquistar votos antes da decisão nas urnas.
A campanha deve continuar concentrada em temas como economia, segurança pública, políticas sociais, impostos e relações de trabalho.
Para os eleitores, o período é uma oportunidade de comparar as propostas apresentadas e verificar quais medidas possuem explicações concretas sobre custos, prazos e formas de execução.
A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro. Até lá, Lula e Flávio Bolsonaro continuarão disputando a preferência do eleitorado por meio da propaganda eleitoral, dos debates e das demais atividades de campanha.
A retomada dos programas gratuitos marca, assim, uma etapa decisiva da disputa presidencial de 2026, com duas campanhas utilizando estratégias distintas para defender seus projetos e convencer os brasileiros.







