Moradores que contribuem com R$ 100 por mês à Progredir Cooperativa Habitacional dizem não ter encontrado seus nomes na lista de pré-selecionados do condomínio Ildo Meneghetti. Há quem pague há mais de sete, até oito anos.
Pagar todo mês, durante anos, por um sonho: a casa própria. É essa a história que cerca de 200 moradores da Restinga, na zona sul de Porto Alegre, levaram até mim. Eles contribuem com R$ 100 mensais à Progredir Cooperativa Habitacional e, ao consultar a lista de famílias pré-selecionadas para o empreendimento Ildo Meneghetti, dizem não ter encontrado seus nomes.
Agora querem respostas: quais critérios foram usados, para onde foi o dinheiro e o que esperar daqui para frente.
Vale dizer logo de início: os relatos levantam dúvidas legítimas, mas até aqui nada permite afirmar que houve irregularidade na administração dos pagamentos ou na seleção das famílias.
O que a Prefeitura informou
O Demhab divulgou a lista de pré-selecionados para o Ildo Meneghetti, ao lado da escola de mesmo nome, na Restinga. Segundo a Prefeitura, em informação publicada em outubro de 2026, o residencial terá 132 unidades habitacionais, dentro do Minha Casa, Minha Vida, em parceria com o Governo Federal e a Caixa Econômica Federal.
Parte das moradias é destinada a famílias ligadas a movimentos de luta por moradia, na modalidade vinculada ao Orçamento Participativo. O município confirma que foram contempladas famílias ligadas à Progredir Cooperativa Habitacional e ao Movimento Nacional de Luta pela Moradia (MNLM).
Isso, porém, não significa que todos os participantes da cooperativa tenham sido selecionados. Também não quer dizer que a lista pública, sozinha, esclareça a situação de cada pessoa que paga mensalidade. Antes de tudo, é preciso saber qual lista os moradores consultaram e a que modalidade ela se refere.
Como funciona a seleção
De acordo com o Demhab, a seleção em Porto Alegre usa critérios de prioridade e pontuação cumulativa, para atender famílias em diferentes situações de vulnerabilidade social. Entram na conta a composição familiar, a situação de moradia, a presença de pessoas com deficiência ou idosos, a violência contra a mulher, a localização da residência e o tempo de cadastro no sistema habitacional, entre outros itens. Em caso de empate, vence a pessoa mais velha.
O programa também exige requisitos de elegibilidade. Portanto, estar em uma cooperativa ou pagar mensalidade, por si só, não garante uma unidade. Os critérios completos estão na publicação oficial do Demhab.
O ponto central: o que foi prometido?
Aqui está o coração da questão. Uma coisa são as regras do poder público para escolher as famílias. Outra, bem diferente, são os compromissos que a cooperativa assumiu com quem aderiu a ela.
Os moradores querem saber para que serviam as mensalidades, o que foi combinado na adesão e que condições foram apresentadas para o acesso à moradia. Os critérios da Prefeitura não respondem a isso. Só os documentos respondem: termos de adesão, comprovantes de pagamento e as explicações da própria cooperativa.
Depois de sete ou oito anos de contribuição, é compreensível que essas famílias queiram informação clara, por escrito e sem rodeios. Elas também querem saber que alternativas existem para quem não foi pré-selecionado.
Espaço aberto para as duas partes
Os moradores já se reuniram para cobrar a direção da Progredir. Esta coluna mantém espaço aberto para a cooperativa explicar a finalidade dos pagamentos, as condições de participação, os critérios adotados e a situação de quem diz não constar na lista. O Demhab também pode orientar sobre como consultar a classificação e conferir os dados cadastrais.
Meu objetivo é que os fatos sejam compreendidos com transparência, sem condenar ninguém antes de ver os documentos e ouvir os envolvidos. Quando o assunto é a casa própria, informação clara e resposta documentada não são favor: são o mínimo.
A apuração será atualizada conforme surgirem novos documentos e manifestações.
Eliane Ribas Semeler
Colunista do Jornal MPV
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