Enquanto Porto Alegre discute obras, investimentos e novos projetos, uma realidade segue praticamente invisível para boa parte da população: famílias do Morro da Polícia, na Zona Leste da Capital, continuam enfrentando a falta de água potável.
Há mais de um ano, o Portal MPV acompanha e denuncia a situação. Voltamos ao local diversas vezes, realizamos transmissões ao vivo, conversamos com moradores e registramos uma realidade difícil de aceitar em pleno 2026: casas que passam semanas sem receber uma gota d’água.
Segundo relatos da comunidade, em alguns períodos a água chega com pressão muito baixa durante um ou dois dias. Depois, o abastecimento pode ser interrompido por até 30 dias. Em algumas residências, a situação é ainda mais grave: a água simplesmente não chega.
Uma justificativa frequentemente citada é a existência de ocupações irregulares. No entanto, durante as apurações realizadas pelo Portal MPV, verificamos que diversas famílias possuem imóveis com escritura e documentação regularizada, cumprindo todas as exigências legais. Isso demonstra que o problema não atinge apenas áreas em situação fundiária irregular.
O Morro da Polícia possui características geográficas que tornam o abastecimento mais complexo. Por estar localizado em uma região elevada, a distribuição de água exige soluções técnicas capazes de garantir pressão suficiente para atender toda a comunidade.
Ao longo desse período, políticos de diferentes esferas já estiveram no local, ouviram moradores e prometeram buscar soluções. Entretanto, a percepção da comunidade é de que pouca coisa mudou na prática, enquanto milhares de pessoas continuam convivendo diariamente com um problema que afeta saúde, higiene e qualidade de vida.
Durante a live realizada pelo Portal MPV, a indignação era evidente. Moradores relataram dificuldades para cozinhar, tomar banho, lavar roupas e realizar tarefas básicas do dia a dia.
Uma das alternativas levantadas pela própria comunidade é a instalação de uma caixa d’água ou reservatório do DMAE na parte mais alta do Morro da Polícia, buscando melhorar a distribuição para as residências localizadas nas áreas de maior altitude. Trata-se de uma proposta que depende de estudos técnicos, financeiros e operacionais do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE), mas que merece ser debatida diante da gravidade da situação.
A pergunta permanece:
Quem pode resolver definitivamente esse problema?
A população espera respostas concretas e um cronograma de ações. Água tratada não é privilégio. É um serviço essencial e um direito básico.
A comunidade precisa de ajuda urgente
As lideranças comunitárias Anderson e Luciana confirmaram ao Portal MPV que irão intensificar a mobilização para ampliar a divulgação do problema e buscar uma solução definitiva junto aos órgãos competentes.
O Portal MPV continuará acompanhando esse caso e abre espaço para que o DMAE e a Prefeitura de Porto Alegre apresentem esclarecimentos e informem quais medidas estão sendo adotadas para garantir o abastecimento de água às famílias do Morro da Polícia.
Colunista : Deivid Jorge Benetti / Repórter Vits DKB







