A investigação da Polícia Civil sobre a atuação da imobiliária VenezaUno, com sede no bairro Floresta, em Porto Alegre, revelou que o prejuízo causado a clientes e condomínios administrados pela empresa já chega a R$ 1,9 milhão. O levantamento foi divulgado nesta quarta-feira (5) pelo delegado Raul Vier, titular da 17ª Delegacia de Polícia, responsável pelo inquérito que apura suspeitas de apropriação indébita e falsificação de documentos.
Segundo a Polícia Civil, aproximadamente 100 ocorrências policiais foram registradas até o momento envolvendo a empresa. As investigações também identificaram 30 condomínios lesados, a maioria localizada em Porto Alegre, embora haja registros de vítimas também no município de Taquari.
O caso ganhou repercussão após a imobiliária interromper suas atividades no início de junho sem comunicação prévia aos clientes, deixando síndicos, condôminos e prestadores de serviços sem respostas sobre recursos financeiros que deveriam estar sob administração da empresa.
Investigação foi dividida em três fases
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito foi instaurado em 8 de junho e estruturado em três etapas para facilitar a análise do grande volume de documentos e depoimentos.
A primeira fase foi concluída em 1º de julho e reuniu:
- 70 ocorrências policiais;
- 17 condomínios lesados;
- aproximadamente R$ 700 mil em prejuízos.
Na segunda etapa, encerrada no final de julho, os investigadores acrescentaram:
- mais 26 ocorrências;
- 13 novos condomínios;
- cerca de R$ 1,2 milhão em novos prejuízos.
Somadas, as duas fases já contabilizam prejuízo estimado em R$ 1,9 milhão, enquanto a terceira etapa da investigação permanece em andamento e poderá ampliar esses números.
Sócios foram indiciados
Ainda durante o andamento do inquérito, a Polícia Civil concluiu a primeira fase da responsabilização criminal dos administradores da empresa.
Um dos sócios foi indiciado pelos crimes de apropriação indébita e falsificação de documento particular, enquanto a outra sócia foi indiciada por apropriação indébita.
Os nomes dos investigados não foram divulgados oficialmente pelas autoridades e, até o momento da divulgação das informações, ninguém havia sido preso. O procedimento segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
Como funcionaria o esquema investigado
Conforme a Polícia Civil, os elementos reunidos até agora apontam que recursos pertencentes aos condomínios deixavam de ser destinados ao pagamento de despesas essenciais, como fornecedores, empresas prestadoras de serviços e concessionárias.
Para manter a aparência de normalidade, os investigadores afirmam que eram apresentados aos síndicos e representantes condominiais comprovantes bancários adulterados, transmitindo a falsa impressão de que os pagamentos haviam sido realizados.
Na prática, porém, diversas obrigações financeiras permaneciam em aberto, situação que só foi descoberta quando fornecedores passaram a cobrar diretamente dos condomínios ou interromper serviços por falta de pagamento.
Depoimentos e documentos reforçaram suspeitas
Durante a investigação, policiais civis colheram depoimentos de síndicos, administradores condominiais e representantes de empresas prestadoras de serviços.
Também foram analisados contratos, extratos bancários, comprovantes de pagamentos e demais documentos entregues pelas vítimas.
Segundo o delegado responsável pelo caso, o conjunto de provas reunidas até agora permitiu identificar um padrão de movimentação financeira incompatível com a administração regular dos recursos condominiais, fortalecendo a hipótese de apropriação indevida dos valores.
Condomínios enfrentaram dificuldades financeiras
Além do prejuízo financeiro direto, diversos condomínios administrados pela empresa passaram a enfrentar problemas operacionais.
Entre as situações relatadas às autoridades estão:
- contas de água e energia sem pagamento;
- atraso na remuneração de funcionários;
- dívidas com empresas terceirizadas;
- suspensão de serviços de manutenção;
- dificuldade para acessar documentos e informações financeiras.
Em muitos casos, síndicos precisaram reorganizar rapidamente a administração condominial para evitar o agravamento da situação financeira dos edifícios.
Defesa afirma que responderá apenas na Justiça
Procurada pela imprensa, a defesa da VenezaUno informou que irá se manifestar exclusivamente na esfera judicial, caso o Ministério Público apresente denúncia.
Segundo a advogada que representa os sócios, os esclarecimentos serão apresentados durante o processo judicial, observando o contraditório e a ampla defesa, sem manifestações públicas sobre o mérito da investigação neste momento.
Polícia acredita que novas vítimas ainda podem surgir
Com a terceira fase do inquérito ainda em andamento, a Polícia Civil não descarta a possibilidade de surgirem novos registros de ocorrência e novos prejuízos relacionados à atuação da empresa.
A continuidade da investigação busca identificar outras movimentações financeiras, ampliar a análise documental e verificar se existem mais vítimas além das já identificadas.
Caso novas evidências sejam confirmadas, o valor total do prejuízo poderá ultrapassar os R$ 1,9 milhão já contabilizados pelas autoridades.
Caso reforça atenção na gestão condominial
Especialistas destacam que administradoras de condomínios exercem papel fundamental na gestão financeira de edifícios residenciais e comerciais, administrando recursos destinados ao pagamento de despesas essenciais.
Situações como a investigada reforçam a importância da fiscalização permanente por síndicos, conselhos fiscais e condôminos, com conferência periódica de extratos bancários, comprovantes de pagamento, contratos e prestação de contas.
Enquanto a investigação avança, a Polícia Civil segue reunindo elementos para concluir a terceira fase do inquérito, que poderá definir a dimensão final dos prejuízos e das responsabilidades atribuídas aos investigados.








