Mudança na gestão de unidades de saúde provoca divergências entre Prefeitura, sindicatos e empresa contratada; falta de profissionais e redução de remunerações preocupam entidades e usuários do SUS.
A saúde de Porto Alegre voltou ao centro do debate público após a mudança na administração de parte das unidades de saúde da Capital. A transição provocou divergências entre a Prefeitura, sindicatos de trabalhadores e o Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), empresa responsável pela nova gestão.
O principal ponto de discussão envolve a redução da remuneração de profissionais da saúde, a dificuldade para preencher vagas e os possíveis impactos da transição sobre a continuidade do atendimento oferecido à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcelo Matias, ouvido pelo Jornal MPV, a mudança de gestão provocou uma redução de aproximadamente 30% na remuneração dos médicos. De acordo com o dirigente, alguns contratos de enfermeiros registraram redução superior a 50%.

Para o sindicato, a diminuição dos valores contribuiu para que parte dos profissionais decidisse não renovar os contratos. Com isso, vagas foram abertas e passaram a exigir novas contratações.
Entre as preocupações apresentadas pelo Simers está a manutenção das equipes de Saúde da Família e a dificuldade para contratar especialistas, especialmente profissionais da área de saúde mental.
Entre as preocupações apresentadas pelo sindicato está a continuidade do atendimento nas equipes de Saúde da Família e a dificuldade para contratar médicos especialistas, principalmente na área de saúde mental
Prefeitura confirma redução de valores e cita limitações orçamentárias
Em entrevista à Rádio Gaúcha, o secretário municipal da Saúde, Fernando Ritter, confirmou que houve redução nos valores pagos aos profissionais em comparação com contratos anteriores.
Segundo o secretário, médicos que recebiam cerca de R$ 23,5 mil passaram a receber aproximadamente R$ 19 mil na nova gestão. Para enfermeiros, o valor informado ficou em torno de R$ 6,3 mil, além dos benefícios previstos nos contratos.
Ritter afirmou que a decisão está relacionada às limitações orçamentárias enfrentadas pelo município. O secretário também destacou que Porto Alegre investe recursos próprios acima do mínimo constitucional na área da saúde.
De acordo com a Prefeitura, as despesas relacionadas à reconstrução da cidade após as enchentes também aumentaram a pressão sobre as contas públicas municipais.
O secretário informou ainda que aproximadamente 85% das vagas médicas previstas já estavam preenchidas. Segundo ele, porém, ainda existiam postos de trabalho em aberto.
A Prefeitura também informou ter aplicado notificações à empresa responsável pela gestão devido ao descumprimento de cláusulas contratuais.
IAG diz que trabalha para completar equipes
O diretor executivo do Instituto de Apoio à Gestão Pública (IAG), Juan Monastério cede entrevista pessoalmente ao repórter MPV e afirmou que a empresa assumiu as unidades dentro dos valores previstos no edital público e negou que exista um cenário de desorganização.
Segundo ele, o salário oferecido aos médicos é de aproximadamente R$ 19 mil, valor que considera compatível com o orçamento disponível.
O dirigente também declarou que a empresa enfrenta dificuldades para contratar alguns especialistas, especialmente psiquiatras no dia da entrevista dia 15 de Julho 2026 faltava 20 médicos mas atualizando nesta terça-feira ouvimos na rádio que restante 12 médicos faltam para contratar e fechar a equipe nos postos de saúde mas garantiu que os profissionais selecionados passam por análise técnica antes de iniciarem suas atividades.

Segundo Monastério, o IAG assumiu as unidades dentro dos valores previstos no edital público e negou a existência de um cenário de desorganização na prestação dos serviço
Sindicato dos Enfermeiros contesta números
A presidente do Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul, Denise Cruz, apresentou uma versão diferente.
Ela afirmou que a redução salarial da categoria ultrapassa 50% e criticou o modelo de contratação adotado pela nova gestora. Segundo a dirigente, profissionais experientes estariam sendo substituídos por trabalhadores recém-formados, além de alegar que os sindicatos não tiveram espaço para negociar diretamente com a empresa.
Saúde mental permanece como um dos principais desafios
Outro tema debatido durante a entrevista foi a assistência em saúde mental.
O Simers afirma que existe dificuldade para contratação de psiquiatras e alerta para possíveis impactos no atendimento da população.
Já a Prefeitura informou que vem ampliando a rede de Centros de Atenção Psicossocial (Caps), realizando treinamentos e buscando autorização para contratação de novos profissionais. O secretário reconheceu, entretanto, que parte da estrutura prevista em legislação municipal ainda não foi completamente implantada.
População acompanha com preocupação
Independentemente das justificativas apresentadas por cada lado, um ponto é comum entre todas as manifestações: ainda existem dificuldades para preencher todas as vagas necessárias nas unidades de saúde.
Enquanto sindicatos alertam para riscos de precarização do atendimento, a Prefeitura afirma que acompanha diariamente os contratos e cobra da empresa responsável o cumprimento das metas estabelecidas.
Para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), o principal desafio continua sendo garantir atendimento com equipes completas, profissionais qualificados e continuidade dos serviços nas unidades básicas de saúde.
Traremos em video no canal do MPV Realidade nesta terça-feira ás 20horas com Presidente do SIMERS , Diretor da IAG e Conselheira Municipal Mariana.

O Jornal MPV seguirá acompanhando os desdobramentos da nova gestão das unidades de saúde de Porto Alegre e ouvirá outras entidades envolvidas para ampliar a cobertura sobre o tema.
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