
Por Eliane Ribas Semeler
Especialidades: + D 500 candidatos eleitos através da Strategic System® Ellis Estrategista Política e Criadora do Ecossistema DNA Eleitoral, desde 2016.
Uma campanha que pretende governar o Rio Grande do Sul precisa começar demonstrando aquilo que promete entregar ao Estado: planejamento, organização e responsabilidade.
É justamente por isso que a decisão do TRE-RS de manter suspenso o registro da candidatura de Luciano Zucco (PL) até a apresentação do plano de governo não pode ser tratada apenas como uma questão burocrática.
A Justiça Eleitoral identificou uma pendência objetiva: o plano de governo não foi anexado ao processo de registro. A equipe terá três dias para corrigir a situação. Zucco não foi declarado inelegível e não está, neste momento, impedido de disputar a eleição.
Mas a questão política permanece.
Como uma candidatura que está sendo preparada há meses chega ao momento do registro sem apresentar um documento tão fundamental?
E existe uma contradição que merece ser discutida.
Em março, a pré-campanha lançou o projeto Força Gaúcha, com encontros pelo Estado para ouvir entidades, lideranças e setores produtivos. A proposta, segundo a própria construção da candidatura, era justamente reunir demandas para elaborar o plano de governo.
Então, se houve tempo, reuniões, escuta e preparação, por que o documento não acompanhou o pedido de registro?
É aqui que a responsabilidade deixa de ser apenas documental e passa a ser política.
Uma campanha majoritária possui equipe jurídica, coordenação política, profissionais de comunicação e estrutura para acompanhar prazos e exigências. O registro de uma candidatura ao Palácio Piratini não é uma surpresa. As regras eleitorais são conhecidas. O plano de governo também não é um documento inesperado.
Por isso, não considero razoável reduzir o episódio a um simples “esquecimento”.
Quem pretende administrar um Estado precisa demonstrar capacidade de organização antes mesmo de assumir o governo.
O Rio Grande do Sul enfrenta desafios enormes em áreas como saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, desenvolvimento econômico e reconstrução. Governar exige método, planejamento, acompanhamento de processos e responsabilidade com prazos.
Não estou afirmando que Zucco não tenha propostas. O próprio TRE-RS não fez qualquer julgamento sobre o conteúdo do plano. A questão é outra: a equipe responsável pela candidatura não apresentou, no momento adequado, um documento essencial para o registro.
E isso precisa ser explicado ao eleitor.
Porque campanha também é demonstração de competência.
Se uma equipe não consegue garantir que o plano de governo esteja anexado ao processo de candidatura, é legítimo perguntar: como essa mesma estrutura pretende coordenar uma máquina pública complexa, com milhares de servidores, centenas de municípios e um orçamento de bilhões de reais?
O eleitor não precisa apenas de promessas.
Precisa de planejamento, transparência e capacidade de execução.
O plano de governo deveria ser uma das primeiras demonstrações disso.
Agora, será apresentado porque a Justiça Eleitoral determinou.
A pergunta que fica é simples — e política:
se o documento estava sendo construído há meses, por que foi preciso o TRE-RS cobrar aquilo que deveria ter sido entregue espontaneamente pela campanha?
É uma pequena falha documental?
Talvez.
Mas, para quem pede ao eleitor a responsabilidade de governar o Estado, pequenas falhas de organização também dizem alguma coisa sobre quem está preparado para assumir uma responsabilidade tão grande.
Eliane Ribas Semeler
Colunista do Jornal MPV








