A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira (17), a Operação Convergência, uma ação contra uma rede criminosa investigada por envolvimento com tráfico de drogas e comércio ilegal de armas de fogo e munições no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Ao todo, são cumpridas 73 ordens judiciais, sendo 43 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. A investigação é conduzida pela 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN), do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc).
A operação ocorre em dez municípios dos dois estados. No Rio Grande do Sul, as ações são realizadas em Porto Alegre, Cachoeirinha, Novo Hamburgo, Gravataí, Guaíba, São Leopoldo, Imbé e Taquara. Em Santa Catarina, os mandados são cumpridos em Criciúma e Jaguaruna.
Prisões preventivas
Segundo as informações divulgadas durante a operação, parte dos mandados de prisão foi cumprida contra pessoas que já estavam recolhidas ao sistema prisional. Dos 43 mandados de prisão preventiva, 21 tinham como alvo pessoas que já estavam presas, mas que passaram a ter novas ordens judiciais cumpridas no âmbito da investigação.
O balanço de prisões divulgado ao longo da manhã apresentou atualizações conforme as equipes avançavam no cumprimento das ordens judiciais. A operação permaneceu em andamento durante esta quinta-feira.

Investigação aponta diferentes núcleos
De acordo com o delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico, a investigação identificou diferentes núcleos que atuariam em etapas distintas da cadeia do tráfico de drogas.
A estrutura investigada envolveria desde o fornecimento de grandes quantidades de entorpecentes até o armazenamento, transporte, distribuição e revenda das drogas.
Os investigadores também apuraram a movimentação dos valores obtidos nas negociações e identificaram comunicações relacionadas a pagamentos, créditos, débitos e redistribuição dos entorpecentes.
Segundo a Polícia Civil, os núcleos investigados teriam ligação com uma organização criminosa do Vale do Sinos, com atuação identificada especialmente na Zona Sul de Porto Alegre e em outras cidades.
Drogas também seriam transportadas de Santa Catarina
A investigação aponta ainda uma ligação entre os dois estados na estrutura investigada.
Segundo informações divulgadas durante a operação, os entorpecentes seriam transportados de Santa Catarina para o Rio Grande do Sul e, posteriormente, distribuídos a partir de pontos localizados na Região Metropolitana de Porto Alegre para outros municípios gaúchos.
A apuração busca identificar a participação individual de cada suspeito e o papel desempenhado dentro da estrutura investigada.

Comércio ilegal de armas também é investigado
Além do tráfico de drogas, os investigadores identificaram negociações envolvendo armas de fogo e munições.
Segundo a Polícia Civil, parte dos investigados também estaria envolvida no comércio clandestino de armamentos. As informações obtidas durante a investigação passaram a integrar o conjunto de elementos utilizados para fundamentar as medidas judiciais cumpridas nesta quinta-feira.
Advogado é um dos alvos em Porto Alegre
Entre os alvos da operação está um advogado de 55 anos, preso preventivamente no bairro Belém Velho, na Zona Sul de Porto Alegre.
Segundo a investigação apresentada pela Polícia Civil, o profissional é suspeito de repassar informações e prestar apoio a integrantes da organização criminosa em diferentes frentes relacionadas à atividade investigada.
O cumprimento do mandado foi acompanhado por integrantes da OAB-RS.
A defesa do advogado, representada por Eduardo Vieira, informou que aguarda o avanço das investigações para apresentar uma manifestação sobre o caso.

Mandado também foi cumprido em Santa Catarina
Em Jaguaruna, uma equipe da Polícia Civil de Santa Catarina cumpriu um mandado de prisão preventiva contra um homem de 38 anos, natural de Porto Alegre.
O investigado foi localizado em uma residência no bairro Beija-Flor e, após os procedimentos de polícia judiciária, foi encaminhado ao sistema prisional, permanecendo à disposição da Justiça do Rio Grande do Sul.
Em Criciúma, também foi cumprido mandado de prisão preventiva contra um homem apontado pela investigação como integrante de uma facção criminosa gaúcha.
Por que a operação recebeu o nome de Convergência?
De acordo com a Polícia Civil, o nome Operação Convergência faz referência à forma como a estrutura investigada teria funcionado.
A investigação identificou diferentes pessoas e núcleos com funções distintas, mas que, segundo os investigadores, estariam conectados a uma mesma cadeia de fornecimento, distribuição e comercialização de drogas.
A estratégia da operação é atingir simultaneamente esses diferentes pontos da estrutura, buscando interromper canais de abastecimento e distribuição e reunir novos elementos para o prosseguimento da investigação.

Investigação continua
As diligências continuam para o cumprimento das demais ordens judiciais e para a análise dos materiais apreendidos.
A Polícia Civil ainda deverá individualizar a participação dos investigados e analisar os elementos recolhidos durante as buscas.
É importante destacar que os alvos são investigados e que os mandados de prisão preventiva fazem parte de uma investigação criminal. A prisão preventiva não representa, por si só, condenação definitiva.
A Operação Convergência envolve forças de segurança dos dois estados e tem como foco uma rede investigada por tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e movimentação de valores relacionados às atividades criminosas.










