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Porto Alegre entra no top 10 dos ônibus elétricos

Porto Alegre alcançou a 10ª posição no ranking nacional de municípios com maior frota de ônibus elétricos em circulação no transporte público. A Capital gaúcha possui atualmente 12 veículos elétricos, que começaram a operar em agosto de 2024, e aparece à frente das demais capitais da Região Sul no levantamento.

Os dados são da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e foram divulgados nesta quarta-feira (12). Apesar da posição de destaque entre as capitais sulistas, Porto Alegre ainda está atrás de municípios menores, como Osasco (SP), Cascavel (PR) e Cariacica (ES).

O cenário, porém, pode mudar nos próximos anos. A Prefeitura de Porto Alegre já contratou financiamento para a aquisição de 100 novos ônibus elétricos articulados a bateria, em um projeto que prevê ampliar significativamente a participação da tecnologia na frota do transporte coletivo da cidade.

A meta anunciada pelo município é chegar a 100 ônibus elétricos até 2028.

Porto Alegre tem 12 ônibus elétricos em operação

Os 12 ônibus elétricos atualmente em circulação na Capital estão distribuídos entre três consórcios do transporte coletivo.

Cada grupo opera quatro veículos:

  • Zona Norte, por meio da empresa Nortran;
  • Zona Leste, por meio da empresa Sudeste;
  • Zona Sul, por meio da VTC — Viação Teresópolis Cavalhada.

Os veículos circulam em três linhas exclusivamente elétricas: E178 — Praia de Belas, E378 — Integradora e E703 — Vila Farrapos.

Além dessas operações, os ônibus elétricos também são utilizados em duas linhas que compartilham a operação com veículos movidos a diesel: 110 — Restinga Nova via Tristeza e 165 — Cohab.

A experiência acumulada desde 2024 vem sendo utilizada para avaliar o desempenho da tecnologia nas condições específicas de Porto Alegre.

Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), os últimos anos foram utilizados para testar a viabilidade dos veículos considerando características como trânsito, extensão das linhas e necessidade de recarga.

Capital lidera entre cidades do Sul

A posição de Porto Alegre ganha relevância quando o recorte é feito entre as capitais da Região Sul.

A cidade está à frente de Curitiba (PR) e Florianópolis (SC) no ranking de municípios com maior frota de ônibus elétricos.

No levantamento nacional, entretanto, a Capital gaúcha ainda aparece distante de São Paulo, que domina o mercado brasileiro.

Segundo os dados da ABVE, 1.916 ônibus elétricos foram comercializados no Brasil desde 2022. Desse total, São Paulo adquiriu 1.499 veículos, concentrando aproximadamente 78,2% da frota elétrica comercializada no país.

A diferença demonstra que, embora Porto Alegre esteja entre os municípios brasileiros que já incorporaram a tecnologia ao transporte coletivo, a eletrificação ainda representa uma parcela pequena da frota nacional e, principalmente, da frota total da Capital.

Autonomia é um dos desafios para Porto Alegre

A expansão dos ônibus elétricos não depende apenas da compra dos veículos.

Um dos principais desafios identificados pelos operadores é a autonomia das baterias.

Segundo Antônio Augusto Lovatto, engenheiro de Transportes da ATP, os veículos testados possuem autonomia aproximada de 220 a 250 quilômetros. O problema aparece em linhas mais extensas, que podem chegar a 350 quilômetros de percurso.

Nesses casos, pode ser necessária uma parada para recarga durante a operação.

A questão é relevante para o planejamento do transporte público porque a autonomia interfere diretamente na definição das linhas que podem ser atendidas exclusivamente por ônibus elétricos.

Em trajetos mais curtos, a tecnologia tende a apresentar maior facilidade de operação. Já em linhas longas, é necessário avaliar a infraestrutura de recarga, o tempo necessário para abastecimento das baterias e o impacto desse processo sobre a programação dos veículos.

Isso significa que substituir ônibus a diesel por elétricos não é apenas uma questão de trocar um veículo por outro.

A cidade precisa adaptar a infraestrutura e definir uma estratégia operacional compatível com as características de cada linha.

Prefeitura prepara ampliação da frota elétrica

A Prefeitura de Porto Alegre já iniciou uma etapa mais ampla de eletrificação do transporte coletivo.

Em julho, o município assinou um contrato de financiamento de R$ 447,7 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a compra de 100 ônibus elétricos articulados a bateria, além dos equipamentos necessários para a recarga dos veículos.

Os recursos são provenientes do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (Fundo Clima).

A aquisição deverá ocorrer em lotes.

A previsão da administração municipal é alcançar a marca de 100 ônibus elétricos até 2028, o que representaria um salto significativo em relação aos 12 veículos atualmente em circulação.

O projeto coloca Porto Alegre diante de uma mudança gradual na matriz energética do transporte coletivo.

Se a meta for cumprida, a cidade terá ampliado em mais de oito vezes o número de ônibus elétricos atualmente em operação.

Ônibus elétrico custa mais, mas pode reduzir despesas

O custo inicial é um dos principais obstáculos para a expansão da tecnologia.

De acordo com as informações apresentadas pela Prefeitura e pela reportagem da GZH, um ônibus elétrico custa, em média, três vezes mais do que um veículo convencional movido a diesel.

Para viabilizar a aquisição, o modelo adotado pelo município prevê que a Prefeitura seja responsável pelo financiamento dos veículos. As empresas operadoras, por sua vez, não incluem a depreciação desses ônibus no cálculo da tarifa.

O custo maior de aquisição, entretanto, pode ser compensado ao longo da vida útil do veículo.

O secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre, Adão de Castro Júnior, afirmou que a estimativa utilizada pelo município aponta para um período de aproximadamente oito anos para que o investimento se equipare ao custo de um ônibus a diesel, considerando aquisição e consumo de energia.

Segundo ele, ao longo do projeto já teria sido registrada uma economia de aproximadamente R$ 2 milhões na diferença entre os gastos com diesel e os veículos elétricos, sem considerar a manutenção.

A lógica econômica da eletrificação, portanto, não está concentrada apenas no preço de compra.

O cálculo envolve também combustível, energia, manutenção e vida útil dos veículos.

Eletrificação também está relacionada à redução de emissões

A expansão dos ônibus elétricos está associada a uma estratégia mais ampla de descarbonização do transporte público.

Veículos elétricos não utilizam diesel durante a operação e, por isso, deixam de emitir diretamente os gases provenientes da queima desse combustível no escapamento.

A discussão sobre eletrificação do transporte coletivo ganhou espaço nas grandes cidades brasileiras justamente pela necessidade de reduzir emissões e melhorar a qualidade ambiental dos sistemas urbanos.

Porto Alegre também vem tratando o tema dentro de uma estratégia que não se limita exclusivamente aos ônibus movidos a bateria.

Na segunda-feira (10), a Prefeitura publicou no Diário Oficial um edital de chamamento público para receber propostas de empresas interessadas em apresentar soluções destinadas à descarbonização da frota do transporte coletivo.

O chamamento contempla diferentes alternativas, incluindo veículos elétricos, biocombustíveis, combustíveis alternativos e sistemas híbridos.

Isso indica que a administração municipal pretende avaliar diferentes tecnologias antes de definir a composição futura da frota.

Porto Alegre ainda está em fase de transição

Apesar do avanço registrado no ranking nacional, Porto Alegre ainda está distante de possuir um sistema de transporte coletivo majoritariamente elétrico.

Os 12 ônibus em circulação representam uma experiência inicial dentro de uma frota muito maior.

O próprio projeto de aquisição de 100 veículos mostra que a cidade está em uma etapa de transição. O objetivo não é substituir toda a frota de uma vez, mas ampliar gradualmente a presença de veículos de baixa emissão.

Essa expansão dependerá de fatores como financiamento, infraestrutura de recarga, capacidade das baterias, características das linhas e custo operacional.

A autonomia é particularmente importante para Porto Alegre porque algumas linhas percorrem distâncias muito superiores à capacidade atual das baterias.

Por isso, a expansão deverá ser acompanhada de planejamento operacional.

O que muda para o passageiro

Para o usuário do transporte coletivo, a mudança mais perceptível tende a ocorrer no próprio funcionamento dos veículos.

Os ônibus elétricos são mais silenciosos durante a circulação e não possuem emissão direta de gases pelo escapamento.

Também existe potencial de redução dos custos operacionais ao longo do tempo, principalmente em relação ao consumo de combustível e à manutenção.

Entretanto, a eletrificação não resolve sozinha os principais problemas do transporte público.

A qualidade do serviço continuará dependendo de fatores como frequência dos ônibus, cumprimento dos horários, conservação dos veículos, lotação, cobertura das linhas, infraestrutura viária e integração entre diferentes modalidades de transporte.

Portanto, a substituição tecnológica precisa estar acompanhada de melhorias na operação.

Ranking mostra avanço, mas também revela espaço para crescimento

A presença de Porto Alegre entre os dez municípios brasileiros com maior frota de ônibus elétricos demonstra que a Capital já entrou na rota da eletrificação do transporte público.

Ao mesmo tempo, o ranking evidencia que outras cidades brasileiras avançaram mais rapidamente.

São Paulo é o principal exemplo. Com 1.499 ônibus elétricos adquiridos desde 2022, a capital paulista concentra a maior parte dos veículos comercializados no país.

Porto Alegre aparece com apenas 12 veículos atualmente em circulação, mas possui um projeto de aquisição de mais 100 unidades.

A diferença entre a situação atual e a meta estabelecida para 2028 mostra que os próximos dois anos serão decisivos para determinar se a Capital conseguirá consolidar sua estratégia de eletrificação.

Porto Alegre terá de resolver desafios de infraestrutura

O avanço da frota elétrica também exigirá investimentos em estações e equipamentos de recarga.

A compra dos 100 veículos financiada pelo BNDES já inclui os equipamentos necessários à operação da nova frota, mas a distribuição desses recursos deverá acompanhar a estratégia de implantação dos ônibus.

A infraestrutura precisa ser dimensionada para atender os veículos sem comprometer a disponibilidade operacional.

Também será necessário considerar os horários de maior demanda, o tempo de recarga e a necessidade de manter veículos disponíveis durante todo o período de operação.

Esses fatores serão determinantes para que a expansão da frota não fique limitada apenas à aquisição dos ônibus.

Próximos passos

Porto Alegre entra agora em uma fase de ampliação do projeto de mobilidade elétrica.

A cidade já possui 12 ônibus elétricos em circulação, lidera o ranking entre as capitais da Região Sul e ocupa a décima colocação nacional.

O próximo passo será transformar o financiamento de R$ 447,7 milhões em uma frota maior e operacionalmente eficiente.

A meta estabelecida pela Prefeitura é chegar a 100 ônibus elétricos até 2028.

Ao mesmo tempo, o município deverá avaliar outras alternativas de descarbonização, como biocombustíveis e sistemas híbridos.

O desafio será conciliar sustentabilidade, custo, autonomia, infraestrutura e qualidade do serviço.

Para o passageiro, o resultado dessa transição será medido menos pelo número apresentado em rankings e mais pela capacidade de a cidade oferecer um transporte coletivo mais eficiente, silencioso, econômico e com menor impacto ambiental, sem comprometer a cobertura e a regularidade das linhas.

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