Capital já supera em cinco casos o total registrado no mesmo período de 2025; aumento acende alerta na rede de proteção às mulheres.
Porto Alegre registrou 11 feminicídios entre janeiro e agosto de 2026, segundo levantamento baseado nos dados da segurança pública. O número representa o maior registro para os oito primeiros meses de um ano desde 2018, quando a Capital contabilizou 17 casos no mesmo período.
O cenário chama atenção porque, no mesmo intervalo de 2025, foram registrados quatro feminicídios em Porto Alegre. Considerando todo o ano passado, a Capital teve seis vítimas desse tipo de crime.
A alta registrada em 2026 já mobilizou autoridades e integrantes da rede de proteção às mulheres, que realizaram uma reunião na última semana para discutir medidas de prevenção e enfrentamento da violência.
Número supera todo o registrado em 2025
Os 11 casos registrados até agosto já representam quase o dobro do total contabilizado em Porto Alegre durante todo o ano de 2025.
No ano passado, foram seis feminicídios na Capital. Até agosto deste ano, o número já chegou a 11.
Na comparação entre os primeiros oito meses dos dois anos, o salto é ainda mais significativo: foram quatro casos entre janeiro e agosto de 2025 contra 11 no mesmo período de 2026.
A evolução dos números coloca Porto Alegre novamente em um patamar que não era registrado desde os primeiros oito meses de 2018.

2018 ainda tinha número maior
Apesar do aumento em 2026, o número deste ano ainda não supera o registrado em 2018.
Naquele ano, 17 feminicídios ocorreram em Porto Alegre entre janeiro e agosto.
Depois disso, os registros para o mesmo período ficaram abaixo dessa marca, fazendo com que os 11 casos contabilizados em 2026 sejam o maior número para o intervalo desde então.
A comparação histórica ajuda a dimensionar o cenário atual: a Capital voltou a apresentar, em apenas oito meses, uma quantidade de feminicídios que não era observada nessa proporção desde 2018.
Dois casos ocorreram em janeiro
Entre os casos registrados neste ano estão os assassinatos de Josiane Natel Alves, de 32 anos, e Paula Gabriela Torres Pereira, de 39 anos.
Josiane foi morta a facadas na noite de 8 de janeiro, no bairro Campo Novo, na Zona Sul de Porto Alegre. Segundo as informações divulgadas na época, ela havia encerrado uma relação conturbada com o ex-companheiro cerca de uma semana antes. A casa onde estava foi invadida.
O ex-companheiro foi preso como suspeito.
Menos de 24 horas depois, Paula Gabriela foi assassinada em uma parada de ônibus na Avenida Juca Batista, no bairro Chapéu do Sol, também na Zona Sul.
O ex-companheiro dela foi preso em flagrante e, segundo a investigação divulgada à época, a principal linha apurada estava relacionada à não aceitação do fim do relacionamento.

Casos envolvem diferentes contextos de violência
Os registros de feminicídio na Capital não representam necessariamente um único padrão de ocorrência.
Em diferentes investigações, aparecem situações relacionadas a companheiros ou ex-companheiros, conflitos decorrentes do fim de relacionamentos e outros contextos de violência de gênero.
Um dos principais desafios apontados pelas autoridades é conseguir alcançar mulheres que não chegam a acessar a rede de proteção antes que a violência evolua para situações mais graves.
A Polícia Civil já destacou que uma parcela das vítimas não havia registrado ocorrência ou procurado formalmente os mecanismos de proteção antes de ser assassinada.
Rede de proteção discutiu aumento dos casos
O crescimento dos registros em Porto Alegre foi discutido recentemente por representantes da rede de proteção da Capital e do Estado.
A reunião teve como objetivo analisar o cenário e discutir medidas capazes de reduzir os casos.
A preocupação não está restrita ao número de mortes. O feminicídio normalmente representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que pode envolver ameaças, agressões físicas, perseguição, controle e violência psicológica.
Por isso, a identificação precoce das situações de risco é considerada fundamental para impedir que a violência avance.

Cenário também preocupa no Rio Grande do Sul
O aumento em Porto Alegre ocorre dentro de um cenário de preocupação estadual.
Segundo dados citados em levantamento recente, o Rio Grande do Sul contabilizava 48 feminicídios em 2026 até o período analisado em agosto. Em todo o Estado, os casos também têm provocado discussões sobre prevenção e proteção das vítimas.
A situação tem levado órgãos públicos a buscar novas estratégias para combater a violência contra as mulheres, incluindo ações voltadas não apenas às vítimas, mas também aos autores e potenciais agressores.
Desafio é chegar antes da violência extrema
Para as autoridades, um dos principais obstáculos é identificar mulheres que vivem situações de violência, mas não procuram os serviços de proteção ou não registram ocorrência.
A Polícia Civil já apontou a necessidade de ampliar o cruzamento de informações entre diferentes áreas, inclusive a saúde, para identificar possíveis sinais de violência que chegam aos serviços públicos antes de uma ocorrência policial.
Essa estratégia busca encontrar situações de risco antes que elas evoluam para agressões graves ou feminicídios.

Medidas de proteção podem ser decisivas
A rede de proteção disponibiliza diferentes mecanismos para mulheres que estejam sofrendo violência ou estejam sob ameaça.
Entre eles estão o registro de ocorrência, medidas protetivas de urgência, atendimento especializado e acolhimento pela rede pública.
A busca por ajuda pode ocorrer mesmo antes de uma agressão atingir níveis extremos.
Em situações de risco imediato, a orientação é acionar os serviços de emergência e procurar um local seguro.
Número pode mudar até o fim do ano
Os 11 feminicídios registrados entre janeiro e agosto representam o cenário até o momento e não correspondem ao total que será contabilizado em 2026.
Ainda faltam quatro meses para o encerramento do ano, portanto novos casos poderão alterar o resultado final.
Mesmo assim, o número já coloca 2026 como o ano com maior quantidade de feminicídios registrados em Porto Alegre para o período de janeiro a agosto desde 2018, segundo o levantamento divulgado.
Números em destaque
- 11 feminicídios em Porto Alegre entre janeiro e agosto de 2026;
- 4 casos no mesmo período de 2025;
- 6 casos durante todo o ano de 2025;
- 17 casos entre janeiro e agosto de 2018;
- 2026 tem, até agosto, o maior número para o período desde 2018;
- O aumento já provocou reunião da rede de proteção da Capital e do Estado.
O cenário reforça a necessidade de prevenção, identificação de situações de risco e acesso rápido à rede de proteção, especialmente diante de ameaças, perseguições e episódios de violência doméstica.










