O número de municípios atingidos pelos temporais que avançaram pelo Rio Grande do Sul aumentou para 114, segundo atualização divulgada pela Defesa Civil Estadual nesta sexta-feira (7). O balanço mostra a dimensão dos impactos provocados pela instabilidade que atingiu o Estado, com registros de danos em diferentes regiões, 2.306 pessoas desalojadas, cinco feridos e uma morte confirmada.
A maior parte dos desalojamentos está relacionada ao destelhamento de residências. Apesar do número de pessoas que precisaram deixar temporariamente suas casas, a Defesa Civil informou que não houve necessidade, até o momento, de abertura de abrigos públicos nos municípios afetados. Muitas famílias buscaram apoio na casa de parentes ou conhecidos.
A atualização do balanço ocorre enquanto equipes municipais e estaduais continuam realizando levantamentos dos prejuízos e atendendo ocorrências provocadas pelos ventos fortes, queda de árvores e danos estruturais.
Mais de 2,3 mil pessoas estão desalojadas
Entre as cidades com maior número de pessoas desalojadas estão Minas do Leão, Novo Hamburgo e São Leopoldo.
Minas do Leão contabiliza cerca de 500 desalojados, enquanto Novo Hamburgo registra aproximadamente 480. Em São Leopoldo, são cerca de 200 pessoas que precisaram deixar temporariamente suas residências.
A Defesa Civil Estadual informou que as coordenadorias regionais estão auxiliando os municípios atingidos com a distribuição de materiais utilizados no atendimento emergencial, incluindo telhas, lonas e água potável.
A situação exige acompanhamento porque parte das famílias afetadas permanece dependente de reparos nas residências e da recuperação dos serviços básicos.
RS registra uma morte e cinco feridos
O balanço oficial também confirma uma morte e cinco pessoas feridas em decorrência do temporal.
A vítima fatal era um motociclista de 33 anos que trafegava pela ERS-124, em Montenegro, quando ocorreu o acidente. A Defesa Civil informou que ainda não é possível determinar, com precisão, se a árvore caiu sobre a motocicleta ou se o veículo atingiu uma árvore que já estava caída na rodovia. A dinâmica deverá ser esclarecida a partir de laudos da Polícia Civil e do Instituto-Geral de Perícias.
Entre os feridos estão moradores de Dom Feliciano e Novo Hamburgo, além de um militar que se feriu em Osório após um estilhaço atingir o para-brisa de uma viatura.
Dois dos feridos permaneciam hospitalizados na atualização divulgada pela Defesa Civil. Um terceiro havia sido internado anteriormente, mas recebeu alta médica.
Queda de estruturas e destelhamentos estão entre os principais danos
Os temporais provocaram diferentes tipos de ocorrências nos municípios atingidos.
Os destelhamentos aparecem entre os principais problemas registrados pelas equipes municipais, obrigando famílias a deixarem suas casas temporariamente.
Também foram registrados danos em estruturas, quedas de árvores, interrupções de energia elétrica e bloqueios em vias.
Em Dom Feliciano, por exemplo, parte da estrutura da Expo Dom Feliciano foi destruída durante o evento. Uma pessoa ficou ferida após ser atingida por uma estrutura, enquanto outras duas sofreram queimaduras durante um incidente ocorrido no município.
Região Sul enfrenta problemas na rede elétrica
A interrupção do fornecimento de energia elétrica continua sendo um dos principais problemas deixados pelo temporal.
Segundo a Defesa Civil Estadual, a região Sul do Rio Grande do Sul apresenta um dos cenários mais críticos, especialmente devido à queda de torres de transmissão provocada pela força dos ventos.
O problema na rede elétrica tem reflexos que vão além das residências. A falta de energia também pode comprometer o funcionamento de sistemas de abastecimento de água, serviços públicos, comunicação e estabelecimentos comerciais.
A recuperação depende da atuação das equipes das concessionárias e da liberação das áreas onde há riscos para os trabalhadores.
Tornado também provocou destruição no Sul
Entre os fenômenos registrados durante a passagem da instabilidade está o tornado que atingiu Pedro Osório, na região Sul do Estado.
Uma avaliação preliminar da MetSul Meteorologia indicou características compatíveis com um tornado de categoria F1 na maior parte da área afetada, com possibilidade de classificação F2 em alguns pontos.
A análise dos danos indicou que os ventos podem ter ultrapassado 200 km/h em determinados locais. A avaliação, entretanto, é preliminar e considera principalmente os danos observados na área atingida.
O episódio reforça a intensidade da instabilidade que atravessou o Estado e ajuda a explicar a extensão dos prejuízos registrados em diferentes municípios.
Defesa Civil enviou 33 alertas à população
Durante o acompanhamento do evento meteorológico, a Defesa Civil Estadual informou que foram enviados 33 alertas à população.
Em parte da Região Metropolitana de Porto Alegre, também foi utilizado o sistema de cell broadcast, que permite o envio de alertas diretamente aos celulares localizados dentro da área considerada de risco.
Segundo a Defesa Civil, o objetivo foi orientar a população para que evitasse deslocamentos desnecessários e buscasse locais seguros durante o período de maior risco.
A avaliação do órgão é de que a comunicação antecipada contribuiu para reduzir a exposição da população às condições severas registradas durante o temporal.
Municípios continuam contabilizando prejuízos
O balanço de 114 municípios ainda pode sofrer alterações conforme novas informações sejam encaminhadas pelas prefeituras e coordenadorias municipais.
Equipes da Defesa Civil permanecem apoiando as cidades atingidas, enquanto os municípios trabalham na recuperação de vias, imóveis e estruturas danificadas.
A situação também exige atenção para o restabelecimento da energia elétrica e de outros serviços essenciais, principalmente nas localidades onde a infraestrutura sofreu danos mais severos.
O cenário deixado pelo temporal ocorre após uma sequência de condições meteorológicas adversas no Estado e antes da chegada de uma intensa massa de ar polar, prevista para provocar queda acentuada das temperaturas durante o fim de semana.
Para as famílias que tiveram suas residências atingidas, a combinação entre os danos estruturais e o frio intenso aumenta a necessidade de assistência e de rápida recuperação dos serviços básicos.
A Defesa Civil segue monitorando as condições meteorológicas e orienta a população a acompanhar os alertas oficiais e evitar áreas que apresentem risco após a passagem do temporal.








