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TRE-RS repudia vídeo sobre fraude nas urnas

Tribunal contesta alegações divulgadas pelo deputado federal Maurício Marcon e explica mecanismos de segurança utilizados para impedir que uma pessoa vote no lugar de outra.

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (14) para repudiar informações sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas. A manifestação foi motivada por um vídeo publicado nas redes sociais pelo deputado federal Maurício Marcon, no qual é sugerida a existência de um esquema organizado de mesários para registrar votos em nome de eleitores ausentes após o encerramento da votação.

No posicionamento, a Justiça Eleitoral gaúcha classificou a narrativa como desinformação e afirmou que as alegações não encontram respaldo nos fatos, nas evidências disponíveis ou nos mecanismos de controle do sistema eleitoral.

O tribunal também apresentou dados do primeiro turno das eleições de 2026 e detalhou procedimentos de identificação dos eleitores, incluindo a utilização da biometria e a confirmação de informações adicionais em situações específicas.

A manifestação ocorre durante o período de preparação para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro, quando a confiança no processo eleitoral e a circulação de informações sobre a votação ganham relevância no debate público.

TRE-RS contesta alegações sobre atuação de mesários

O vídeo divulgado pelo deputado federal Maurício Marcon sugere que mesários poderiam registrar votos em nome de pessoas que não compareceram às seções eleitorais, inclusive após o horário oficial de encerramento da votação.

Em resposta, o TRE-RS afirmou que não há evidências que sustentem a existência de um esquema recorrente e organizado de fraude praticada dessa forma. O órgão também criticou a divulgação de acusações genéricas que colocam sob suspeita o trabalho dos mesários e a integridade do sistema eleitoral sem apresentar comprovação.

Na nota, o tribunal destacou que a fiscalização do processo eleitoral é legítima e importante para a transparência das eleições. Partidos políticos, federações e outros representantes autorizados pela legislação podem acompanhar os procedimentos eleitorais e fiscalizar as etapas previstas nas normas.

A Justiça Eleitoral, entretanto, diferenciou a fiscalização legítima da divulgação de informações que apresentam suspeitas não comprovadas como se fossem fatos estabelecidos.

O posicionamento não significa que eventuais irregularidades individuais deixem de ser investigadas. Segundo o tribunal, existem mecanismos de auditoria, rastreabilidade e responsabilização para apurar possíveis desvios.

Como funciona a identificação dos eleitores

Um dos principais pontos apresentados pelo TRE-RS diz respeito aos mecanismos utilizados para confirmar a identidade de quem comparece para votar.

Nos casos em que o eleitor possui cadastro biométrico, a identificação é realizada por meio da leitura da impressão digital. Se a urna não reconhecer a biometria após quatro tentativas, o procedimento prevê a confirmação do ano de nascimento do eleitor para permitir a habilitação da votação.

A mesma regra é aplicada aos eleitores que não possuem biometria cadastrada.

De acordo com o tribunal, o ano de nascimento não consta no caderno de votação nem nos materiais disponibilizados aos mesários. A informação deve ser fornecida pelo próprio eleitor durante o procedimento de identificação.

Essas etapas funcionam como mecanismos adicionais de segurança e reduzem significativamente a possibilidade de uma pessoa votar no lugar de outra.

O TRE-RS também ressaltou que a atuação dos mesários ocorre dentro de procedimentos estabelecidos pela Justiça Eleitoral, com regras destinadas a garantir a regularidade da votação.

Dados do primeiro turno foram apresentados pelo tribunal

Para contestar a narrativa divulgada nas redes sociais, o TRE-RS apresentou números referentes ao primeiro turno das eleições de 2026.

Segundo os dados oficiais, 6.702.903 eleitores compareceram às urnas no Rio Grande do Sul. Desse total, 31.217 votaram após as 17h, o equivalente a aproximadamente 0,47% dos eleitores que compareceram.

O tribunal também informou que 2.728 eleitores tiveram a identificação realizada sem o reconhecimento biométrico, mediante confirmação do ano de nascimento. Esse grupo corresponde a aproximadamente 0,04% do total de eleitores que votaram.

Os números foram utilizados pela Justiça Eleitoral para contextualizar a dimensão desses procedimentos e contestar a hipótese de que eles representariam uma prática generalizada de fraude.

É importante observar que o fato de uma pessoa votar após as 17h não significa, por si só, que tenha ocorrido uma irregularidade. O horário de encerramento da votação não invalida automaticamente os votos registrados dentro dos procedimentos autorizados.

Da mesma forma, a utilização de uma forma alternativa de identificação prevista nas regras eleitorais não constitui, isoladamente, evidência de fraude.

Tribunal defende fiscalização e transparência

Na nota oficial, o TRE-RS reafirmou que o acompanhamento do processo eleitoral por representantes autorizados é essencial para a transparência e para o fortalecimento da confiança pública nas instituições democráticas.

O órgão também reconheceu a importância do trabalho dos mesários, que desempenham funções fundamentais para o funcionamento das seções eleitorais durante o dia da votação.

A Justiça Eleitoral afirmou que continuará atuando tanto na prevenção e investigação de eventuais irregularidades quanto no combate à disseminação de informações sem fundamento que possam comprometer a confiança no processo eleitoral.

O posicionamento reforça que denúncias concretas devem ser encaminhadas pelos canais adequados para que possam ser verificadas, em vez de serem tratadas automaticamente como prova de uma fraude generalizada.

Eleições de 2026 e o combate à desinformação

A circulação de vídeos e publicações sobre supostas irregularidades eleitorais tornou-se um tema relevante durante a campanha de 2026. Conteúdos que apresentam acusações sem evidências podem gerar dúvidas entre os eleitores e dificultar a distinção entre fatos comprovados, suspeitas e interpretações.

No caso contestado pelo TRE-RS, o tribunal apresentou esclarecimentos sobre os mecanismos de identificação e os dados da votação para responder às alegações divulgadas nas redes sociais.

A manifestação não elimina a possibilidade de apuração de denúncias específicas. O que o órgão contesta é a apresentação de uma suposta fraude organizada como se estivesse comprovada, sem respaldo nos elementos disponíveis.

A orientação central é verificar a origem das informações, consultar manifestações oficiais e diferenciar alegações de fatos demonstrados.

O que diz o TRE-RS

A Justiça Eleitoral gaúcha informou que permanecerá vigilante para prevenir e apurar irregularidades, mas também atuará contra a divulgação de acusações genéricas que, segundo o tribunal, não encontram sustentação nas evidências apresentadas.

A nota oficial está disponível nos canais institucionais do TRE-RS e detalha os procedimentos de identificação, os números do primeiro turno e a posição do órgão sobre o vídeo publicado pelo parlamentar.

O Jornal MPV acompanha os desdobramentos da disputa eleitoral de 2026 e as manifestações das instituições responsáveis pela organização e fiscalização do processo democrático.

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