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WhatsApp cria novas regras para pais no Brasil

Pais e responsáveis poderão controlar configurações de privacidade, grupos, canais e recursos de inteligência artificial sem acessar o conteúdo das conversas.

O WhatsApp anunciou novos recursos de controle parental para adolescentes no Brasil. As ferramentas permitem que pais, mães e responsáveis definam determinadas regras de privacidade e recebam alertas sobre mudanças na atividade dos jovens dentro do aplicativo, sem ter acesso ao conteúdo das mensagens ou das chamadas.

A novidade foi anunciada pela Meta, empresa responsável pelo WhatsApp, nesta quarta-feira (30). Segundo a companhia, os controles foram desenvolvidos para permitir que as famílias acompanhem a experiência dos adolescentes no aplicativo de maneira mais próxima, mas preservando a privacidade das conversas pessoais.

Entre as possibilidades estão controlar quem pode visualizar a foto de perfil do adolescente, quem pode adicioná-lo a grupos, quais atualizações de status podem ser visualizadas e quais pessoas podem visualizar os status publicados pelo jovem.

Os responsáveis também poderão receber notificações relacionadas à participação do adolescente em grupos e definir o nível de acesso aos recursos de Meta AI.

Pais não terão acesso às mensagens

Um dos principais pontos da nova ferramenta é a manutenção da criptografia de ponta a ponta das mensagens e chamadas pessoais.

Mesmo com os controles parentais ativados, o responsável não poderá abrir ou ler as conversas do adolescente pelo sistema de supervisão. A Meta afirma que as mensagens e chamadas pessoais continuam privadas e protegidas pela criptografia de ponta a ponta, inclusive em relação à própria empresa.

Isso significa que o controle parental foi desenvolvido para permitir o gerenciamento de configurações e o recebimento de determinados alertas, e não para transformar a conta do adolescente em uma conta com acesso direto dos pais ao conteúdo das conversas.

Quais informações os responsáveis poderão receber

Entre os alertas previstos está a informação de que o adolescente entrou ou saiu de um grupo.

Também poderá haver uma notificação quando um grupo do qual o adolescente participa passar por um crescimento significativo no número de integrantes.

A ferramenta não apresenta aos pais o conteúdo das mensagens trocadas nesses grupos. O objetivo é oferecer uma indicação sobre mudanças na rede de contatos do adolescente.

A Meta também informou que está desenvolvendo os controles a partir das necessidades apresentadas pelas famílias, com previsão de ampliação das ferramentas.

Controle sobre grupos

Os pais ou responsáveis poderão definir regras relacionadas à entrada do adolescente em grupos.

Uma das opções permite determinar quem poderá adicionar o jovem a grupos, aumentando o nível de restrição sobre contatos desconhecidos.

Caso o adolescente queira flexibilizar determinadas configurações de privacidade estabelecidas pelo responsável, será necessária a autorização por meio do PIN definido pelos pais ou responsáveis.

A medida busca impedir que uma configuração de proteção seja simplesmente alterada pelo adolescente sem a autorização de quem administra o controle parental.

Foto de perfil e status também poderão ser controlados

Outra possibilidade oferecida pelo novo sistema envolve a exposição do perfil.

Os responsáveis poderão escolher configurações relacionadas a quem pode visualizar a foto de perfil do adolescente.

Também será possível estabelecer regras sobre os status, incluindo quais atualizações o adolescente poderá visualizar e quem poderá visualizar aquilo que ele publicar.

Essas configurações podem ser utilizadas para reduzir a exposição do adolescente a pessoas que não fazem parte de seu círculo de contatos.

Meta AI terá duas opções de experiência

Os novos controles também chegam aos recursos de inteligência artificial da Meta.

Os responsáveis poderão escolher entre a experiência padrão destinada a usuários com mais de 13 anos e uma opção mais restritiva denominada “Conteúdo limitado”.

A possibilidade permite que as famílias escolham um nível adicional de proteção para o uso dos recursos de inteligência artificial disponíveis no WhatsApp.

As alterações nas configurações ficam protegidas pelo PIN criado pelo responsável.

Como ativar o controle parental

A configuração divulgada pelo WhatsApp começa no celular do adolescente.

No celular do adolescente:

  1. Abra ou instale a versão mais recente do WhatsApp.
  2. Escolha o idioma.
  3. Toque em “Concordar e continuar”.
  4. Acesse “Mais opções”.
  5. Selecione “Criar uma conta gerenciada por pai, mãe ou responsável”.
  6. Informe o número de telefone.
  7. Cadastre a data de nascimento e a idade.
  8. Toque em “Continuar” para conectar a conta ao responsável.

No celular do responsável:

  1. Utilize a câmera do celular para escanear o QR Code apresentado no aparelho do adolescente.
  2. Abra o WhatsApp pelo link exibido.
  3. Toque em “Concordar e continuar”.
  4. Confirme que é um adulto.
  5. Crie um PIN de seis dígitos.
  6. Confirme o PIN.
  7. Toque em “Avançar” e depois em “OK”.
  8. Finalize a configuração no celular do adolescente.

As etapas foram divulgadas pelo WhatsApp e reproduzidas pelo Correio do Povo e pela Agência Brasil.

Controles são opcionais para adolescentes

A Meta informa que os novos controles destinados a adolescentes são opcionais. Pais, mães ou responsáveis podem escolher o nível de suporte que desejam oferecer e alterar ou desligar as configurações posteriormente.

A empresa afirma que a proposta é permitir que famílias configurem a experiência em conjunto e mantenham conversas sobre segurança e uso responsável da plataforma.

Essa modalidade deve ser diferenciada das contas gerenciadas por pais ou responsáveis para crianças mais novas, que possuem regras específicas e estão sendo disponibilizadas gradualmente.

WhatsApp já possui contas gerenciadas para crianças

Além dos controles anunciados para adolescentes, o WhatsApp mantém uma modalidade de conta gerenciada pelos pais destinada a crianças abaixo da idade mínima para utilização do aplicativo de forma independente, conforme as regras locais.

Segundo a Central de Ajuda do WhatsApp, essas contas precisam ser configuradas por um responsável com pelo menos 18 anos e exigem a versão mais recente do aplicativo. A configuração também utiliza conexão entre os aparelhos por meio de QR Code e um PIN parental.

Essa diferenciação é importante porque os novos recursos anunciados em 30 de setembro têm como foco os adolescentes, enquanto as contas gerenciadas foram concebidas para crianças mais novas.

Mudança ocorre após entrada em vigor do ECA Digital

O anúncio ocorre em um momento de mudanças nas regras brasileiras para proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), estabelecido pela Lei nº 15.211/2025, está em vigor desde 17 de março de 2026.

A legislação estabelece obrigações para plataformas digitais relacionadas à proteção de menores, incluindo mecanismos de verificação de idade, privacidade, supervisão parental e redução de riscos associados ao ambiente online.

Entre as medidas previstas estão configurações de privacidade mais protetivas por padrão e ferramentas de supervisão parental acessíveis aos responsáveis.

O que prevê o ECA Digital

A legislação brasileira determina que plataformas adotem medidas para reduzir riscos relacionados a violência, cyberbullying, assédio, exploração e abuso sexual, exposição a pornografia e outros conteúdos inadequados para crianças e adolescentes.

Também há regras específicas para proteção de dados pessoais.

Nas redes sociais, contas de crianças e adolescentes de até 16 anos devem estar vinculadas à conta de um responsável legal, de acordo com as regras apresentadas pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

O texto também estabelece que serviços utilizados por menores adotem, por padrão, o nível mais protetivo disponível em relação à privacidade e à proteção de dados.

Publicidade direcionada a menores também sofre restrições

O ECA Digital também estabelece limitações para o uso de dados de crianças e adolescentes em publicidade.

A legislação proíbe técnicas de perfilamento utilizadas para direcionar publicidade comercial a esse público. Também restringe a criação de perfis comportamentais baseados na coleta e tratamento de dados pessoais de menores para fins de publicidade.

A regra faz parte de um conjunto mais amplo de medidas destinadas a aumentar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Empresas podem sofrer sanções

O descumprimento das obrigações estabelecidas pelo ECA Digital pode resultar em sanções administrativas.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, as multas podem variar conforme a infração, chegando a R$ 50 milhões. Também estão previstas outras medidas, incluindo a possibilidade de suspensão temporária ou definitiva das atividades em determinadas situações.

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) possui atribuições relacionadas à fiscalização da aplicação da legislação e disponibiliza canais para denúncias de possíveis violações administrativas.

Privacidade continua sendo um dos pontos centrais

A implementação do controle parental cria uma divisão entre supervisão e acesso ao conteúdo.

Os pais podem receber informações sobre determinadas movimentações da conta e estabelecer regras de privacidade, mas as mensagens e chamadas pessoais continuam protegidas pela criptografia de ponta a ponta.

Para a Meta, o modelo busca permitir que responsáveis acompanhem aspectos importantes da experiência digital dos adolescentes sem eliminar a privacidade das comunicações pessoais.

Novos recursos devem ser ampliados

A Meta afirma que os controles parentais para adolescentes representam uma primeira etapa e que novas funcionalidades deverão ser desenvolvidas conforme as necessidades apresentadas pelas famílias.

A empresa também mantém outras ferramentas de proteção para adolescentes em seus diferentes aplicativos, incluindo Instagram, Facebook e Messenger.

No WhatsApp, a companhia afirma que pretende ampliar gradualmente os recursos voltados à proteção de menores, mantendo a criptografia de ponta a ponta das mensagens e chamadas pessoais.

O que muda para as famílias

Na prática, os novos recursos permitem que pais e responsáveis tenham maior controle sobre determinados aspectos da conta do adolescente, principalmente relacionados a:

  • 👤 Privacidade do perfil;
  • 👥 Entrada em grupos;
  • 📱 Visualização e publicação de Status;
  • 📢 Alertas sobre movimentações em grupos;
  • 🤖 Uso da Meta AI;
  • 🔐 Alteração das configurações mediante PIN.

Ao mesmo tempo, as ferramentas não permitem que os responsáveis leiam as mensagens privadas ou escutem as chamadas pessoais do adolescente.

Novos controles chegam em meio a mudanças no ambiente digital

O lançamento do recurso ocorre em um cenário de maior atenção às formas de proteção de crianças e adolescentes na internet.

Com o avanço das redes sociais, aplicativos de mensagens e ferramentas de inteligência artificial, as plataformas passaram a incorporar mecanismos para controle de idade, privacidade e supervisão familiar.

No Brasil, essas mudanças também estão relacionadas ao ECA Digital, que estabeleceu novas responsabilidades para empresas que oferecem serviços digitais acessíveis ao público infantojuvenil.

Para as famílias, os novos controles do WhatsApp representam mais uma ferramenta disponível para acompanhar o uso do aplicativo. A configuração, entretanto, não substitui a orientação dos responsáveis sobre privacidade, golpes, contatos desconhecidos, compartilhamento de informações pessoais e outros riscos presentes no ambiente digital.

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